Quando um ciclo termina é o fim de uma trajetória por um caminho que percorremos.
A gente precisa fechar uma porta, sem contudo o esquecer o que há nela e o que aprendemos ali.
A partir do término de uma etapa temos uma nova visão para fazer escolhas, adquirimos mais amadurecimento para saber o que fazer e por onde ir. Assim temos a chance de abrir novas possibilidades, encontrando uma porta diferente adiante para seguir por ela. Alguma que nos leve para aonde ainda não exploramos mas agora com mais bagagem de vida queremos e podemos conhecer.
Portas entreabertas, que não decidimos se fechamos ou deixamos abertas fazem ruídos...
Uma porta que deixamos entreaberta em nosso trajeto nos faz espreitar enquanto decidimos se seguimos e abrimos novas possibilidades... Nós faz olhar para trás e hesitar, nos confunde o rumo, deixa perdidos. Como seguir em mais de uma direção de uma vez? Como entrar no novo se estamos apegados demais ao passado? Uma porta entreaberta mostra nossa insegurança em seguir adiante, nosso anseio de a qualquer momento poder fugir para onde já estivemos e achamos mais confortável. Precisamos saber o que levar dos caminhos que percorremos, ter referências, saber aonde buscar soluções e seguir levemente para frente! É preciso vencer a dificuldade de adaptar a novos contextos e buscar formas de lidar com o presente, ao invés de viver um retrocesso.
Portas de ciclos que já se encerraram não são mais as que devemos passar.
Já não é nosso caminho. E por não estar em nossas mãos fica a mercê das circunstâncias ...
O que acontece com a porta entreaberta?
O vento bate e ela range....
O vento bate e ela pode fechar de vez em um susto...
O vento bate e ela pode ficar escancarada...

Que cada um de nós seja um centro do processo das experiências.
Fechando e abrindo delicamente portas.
Começando e encerrando ciclos.
Sendo sujeitos da nossa história.
(Nathalia Wilke)









