28 de maio de 2011

Auto-entrevista à autora

Depois de quase um ano depois de um intercâmbio você está prestes a voltar.
Qual é a sensação?
Me sinto feliz por uma etapa que vivi, deixo aqui muito, vou reencontrar o lugar de que partir a um ano, as pessoas que lá estão... É tristeza e alegria num misto que não sei explicar bem...
Sentirei saudades de várias pessoas que conheci, de momentos, de lugares,  de possibilidades, até da maneiras de falarem, de poder atravessar a rua e o carro parar, de ir andando para todo canto da cidade. Ao mesmo tempo volto para matar saudades de quem deixei no Brasil, família, amigos, do clima de lá, da forma de viver, de sabores, de lugares, de possibilidades.
Como disse muito bem uma amiga minha estes dias, a saudade é um sentimentos volúvel, a gente sempre vai sentir daquilo que foi bom. É um tempo que não volta mais,  assim como sinto saudades das brincadeiras com meus amigos na infância, senti do Brasil, vou sentir de Portugal. 
Foi uma etapa da minha vida muito importante. Com ela aprendi bastante sobre a vida, as pessoas, sobre mim mesma, me abriu a mente poder viver em outro lugar.

Porque acha importante um intercâmbio?
Porque se aprende muito a cada dia com cada experiência.
Pude ver o quão cômodo é o que já é familiar, o quão cômodo é viver em ambientes que já tenho conhecimento para enfrentar.
Mas quando as pessoas são novas, as certezas são poucas, o território é desconhecido... então a gente vê mesmo o quanto é humano, imperfeito, frágil, o quanto o ser precisa ser e fazer para continuar em frente levemente...
A gente evolui e passa a entender melhor a vida quando se permite ver que o mundo é bem maior do que cabe em nossa concepção limitada e parcial dos fenômenos.
Todo mundo deveria fazer um intercâmbio para onde quer que fosse, é uma escola que ultrapassa os espaço acadêmico. É uma escola para a vida.

O que você leva desta experiência para o Brasil?
Acredito que o de menos é a bagagem que vai no avião comigo, e olha que posso transportar 64 kilos e uma bagagem de mão!  Levo aprendizado, muito aprendizado. Levo a mim mesma depois de crescer numa proporção do governo de JK (50 anos em 5). Rsrs...

Qual foi o maior aprendizado que teve neste processo?
Quando se fala de aprendizado penso que a resposta que mais comum seria dizer que aprendeu sobre a cultura, sobre o curso, sobre o país, um idioma, como se virar, aprendeu que consegue mais do que imagina, que descobriu potencialidades que sequer imaginava, que se tornou mais independente. Sem negar nenhuma das constatações anteriores para mim o que aprendi mais foi sobre a ignorância. Somos todos ignorantes em aspectos da vida que não dominamos e ao ter contato com eles podemos perceber... Vemos o quanto o mundo é grande, desconhecido, o quão pequenos somos, o tanto que temos para aprender e que ainda teremos. E não adianta esforçarmos nosso máximo para sanar esta ignorância, até convêm mas não exclui o fato de que morreremos ainda ignorantes de muita coisa... Ainda que sábios, ainda que respeitosos, ainda que inteligentes, ainda que estudiosos, atentos... Temos que aceitar humildemente nossa ignorância por sermos seres humanos em um mundo em que não há uma verdade  única, que há formas e formas de viver, de ser, diversas manifestações culturais. Neste contexto a gente se adapta, se reconstrói, descobre novas perspectivas. Descobre que a capacidade de escuta, de observação, de questionamento são grandes aliadas, vive a aceitação de que todos somos aprendizes. Independente de idade e  grau de instrução, cada um aprende e cada um ensina aos outros, essa é a dinâmica essencial da vida.

Você faria outro intercâmbio ou um já bastou?
Fonte: Reprodução/http://noticias.universia.com.br/
Faria sim, Considero esta possibilidade para um momento futuro, para a concretização de mestrado ou doutorado talvez. Ainda preciso amadurecer as idéias a respeito, tem passos antes é claro. Mas agora tenho mais segurança de que consigo enfrentar este tipo de desafio, aprendi mais sobre o que é viver longe de tudo e todos que nos são familiares. Mas para antes destes graus acadêmicos tenho vontade e necessidade também de dominar outro idioma. Sei que a melhor forma é aprender estando inserida em uma cultura, para ter maior contato com a pronuncia, para poder ter mais prática, aprender mais do que a linguagem mas também o como as pessoas vivem. Meu próximo intercâmbio eu quero e espero que seja para um país de língua inglesa, espanhola... (tendo uma perspectiva otimista de que vai haver próximo, positividade sempre!) Tenho que estudar as possibilidades e também trabalhar um pouco para viabilizar este sonho. 

Autora e entrevistadora: Nathalia Wilke