22 de agosto de 2013

Eu Vs. Eu

Calcei o tênis, abri a porta, corri para a rua.
Com a minha própria companhia hoje, somente a minha.
Nada a conversar a não ser com meus próprios pensamentos.
Nenhuma expectativa a superar exceto as que me propus,
nada a vencer além do próprio limite,
nada a cumprir além do que eu escolher.
Ninguém para competir, sou eu comigo mesma!
Tentando me superar, tentando ser fiel as minhas determinações e cumprir com os próprios objetivos.
Fonte: Reprodução/eofdreams.com
Dentro de cada ser tem uma motivação que impulsiona.
"Mais um quarteirão correndo, você consegue, força!"
Enquanto o suor escorre no rosto e o sorriso percorre os lábios.
"Eu posso!" - Esse momento não se encerra em si.
Essa conversa interna fica para mais diversas situações,
a confiança de acreditar no próprio poder é mágica.

O mundo pode nos confundir.
O encontro consigo mesmo é o mais verdadeiro, deveria ser um hábito.
A partir do encontro frequente comigo mesma,
posso me encontrar com outras pessoas de forma positiva. 
O caminho a seguir chama-se auto-conhecimento.
Que não sei aonde se chega exatamente mas que vale seguir adiante.
E que é particular a cada ser, nasce de forma sutil,
se manifesta do desejo, do pulso, da atitude, perseverança...

Fonte: Reprodução/1ms.net
Sempre estou mais a frente a cada dia, se escolher seguir.
Na bagagem dúvidas, medo, insegurança... pode saber.
mas também uma boa dose de coragem, certezas e fé para usar com sabedoria.

Saí a procura de mim, mas nunca me acho por completo.
Nem por isso devo parar de procurar, a vida é uma busca infinita.
Cada passo permite ver mais adiante e apresenta um caminho pela frente.
E quem saberá quanto mais terei que correr para me encontrar ? Eu vou!

O esforço pode precisar aumentar a medida que me acostumar com o que antes parecia difícil.
O desafio se justifica pelo prazer de tentar ser a melhor que posso a cada dia.
Corra! A vida não espera e você pode se encontrar mais adiante do que se vê.

Corro deixando para trás a poeira que o passo levanta na areia,
que embaça a vista de quem não olha para frente.
Corro pois quero o que tem adiante, para sentir mais mais viva, mais desperta.
Corro para assumir a direção do meu caminho,
ainda que não o conheça por completo e nem o possa sozinha,
corro para não precisar ser arrastada pela multidão para onde bem alguém entender.

Corro, nado, pedalo...
Encontro no esporte um fiel aliado e amigo para todas as horas!

Autora: Nathalia Wilke

16 de agosto de 2013

Sobre portas e caminhos

Com o passar do tempo e experiências, novos caminhos se tornam possíveis.
Abrir portas é se sentir apto para passar para outra fase.

Pode ser alguma relacionada a um mesmo tema, mas que nos leve para aonde ainda não exploramos, que nos permita caminhar adiante, em lugares que queremos e podemos conhecer.

Quando um ciclo ou etapa termina é o fim de uma trajetória que percorremos.
Precisamos fechar uma porta e isso não significa trancar e perder o acesso.
Significa continuar avançando para as que nos tiram do cômodo.

Reprodução: https://www.facebook.com/espacocrystal?fref=ts
Como seguir em mais de uma direção de uma vez?
Como entrar no novo se estamos apegados demais ao antigo?

Precisamos saber o que levar dos caminhos que percorremos, ter referências, saber aonde buscar soluções e seguir! É preciso vencer o desafio de adaptarmo-nos a novos contextos.

Portas que não decidimos se fechamos ou deixamos abertas fazem ruídos...
Uma entreaberta nos faz olhar para trás e hesitar, nos confunde o rumo.
Uma porta entreaberta mostra nossa insegurança em seguir.
Nosso anseio de a qualquer momento poder voltar para onde estivemos:
Fugir para o mais confortável.

Quais portas queremos abrir?
Quais portas precisamos fechar para seguir?

Que cada um de nós seja centro do processo das experiências.
Fechando e abrindo delicadamente as portas.
Começando e encerrando ciclos.
Sendo sujeitos da própria história.

Autora: Nathalia Wilke

7 de agosto de 2013

Aprender a cair e levantar

"A primeira coisa que devemos aprender é cair"

Lembro-me bem do meu professor de Judô na faculdade dizendo isso, no curso de Educação Física. E nos momentos práticos, antes mesmo de aprender qualquer coisa sobre a arte marcial, aprendemos a realizar um rolamento sobre os ombros. Caíamos e nos levantávamos repetidamente. Adquirimos facilidade em cair e nos reerguer. O encontro com o chão não era necessariamente um problema, fazia parte de uma etapa do processo de aprendizado da luta, e logo em seguida reerguíamos e voltávamos.
Éramos iniciantes e era natural que ainda iríamos de encontro ao chão bastantes vezes para aprender a lutar.
Fonte: Livro didático público 2ª ed.

Isso tem todo um significado se pararmos para pensar em demais esferas da vida. É quase que inevitável que em nossa trajetória, enquanto aprendemos e nos desenvolvemos, que venhamos a sofrer quedas ou alguma coisa nos coloque pelo menos com a sensação de estar no chão, derrotados. E o vencedor é quem consegue se colocar em pé e persiste nos desafios. Um tempo depois, teve um dia em que dia fui agradecer a ele por ter dedicado boa parte de seu tempo a treinarmos a queda. Não só pelo lado poético da coisa, mas também por uma situação em especial em que este aprendizado fez a diferença.

Em um período de intercâmbio, fazia aulas de Equitação que a faculdade ofertava. Dado dia trotávamos em um ritmo acelerado e um som assustou os cavalos. O cavalo que eu estava montada estava em velocidade e parou de maneira brusca, ficando estático e me projetando para frente rapidamente. Ele era um bocado alto. Por isso e pela velocidade, preciso falar que senti na pele a sensação que é voar? Mas mesmo depois de ter caído, eu estava bem, mais viva e chacoalhada do que nunca. Dei por mim levantando, batendo com as mãos no barro da calça. 

"Está bem?" "Estou" "Vai montar novamente?" "Vou!" 


Olhei para professor e vi a cara de preocupação se dissipando em uma de alívio. Nesse momento tive compreensão do que poderia ter acontecido.

E remontei a cena na minha cabeça, o cavalo correndo, o barulho, ele parando, eu indo para frente... e.... levantando! Nesse meio tempo em que fui arremessada pelo cavalo e que nem tive tempo de pensar como agir o que aconteceu? E foi aí que veio a surpresa: A queda do judô, foi ela, estava internalizada. O que aconteceu é que rolei sobre os ombros, mas só fui me dar conta disso depois de já estar de pé, de tão rápido que foi tudo.

A gente internaliza aprendizados e nem sabe o quando isso pode ser importante, mas quanto mais treinamos alguma coisa, seja uma técnica, uma virtude, uma ação. Tão logo, sem nem parar para pensar, poderemos praticar isso. Sendo salvos em fração de segundos de algum potencial perigo, conseguindo superar com mais facilidade desafios que surgem no decorrer do caminho. 

A vida é feita de riscos e nós precisamos ser feitos de aprendizados, pensamentos, ações e hábitos positivos.

Autora: Nathalia Wilke

3 de agosto de 2013

Os mistérios do tempo

Contemplando o infinito, o homem percebeu-se pequeno. 
Tentando compreender seu lugar no universo, criou Chronos, o tempo. 
Datado, sacramentado, registrado em cartório. 

Para expressar essa nova ordem instituiu signos. 
Surgiram as horas, os minutos os segundos. 
A vida ganhou novo sentido. 
Passado, presente e futuro. 

Assim como relógio, despertador, cronômetro, calendário...
Tudo isso para imaginarmos contê-lo, controlá-lo. 
Ampulheta, esse sim o mais sincero instrumento do tempo. 
Regressivamente nos impõe a gravidade, de haver realmente um último grão. Riscando na areia a nossa fragilidade.

Reprodução: Flickr - Fabiano Panizzi
O tempo é curioso. 
Faz-se devagar nos maus momentos, rápido quando o queremos.
E nos surpreende se revelando nas fotos que desbotam, nas cartas que amarelam, nas crianças que crescem nas rugas que aparecem nas pessoas que nunca mais vimos, nas lembranças presentes e nas já esquecidas.

O tempo é imparcial. 
Não distingue branco de negro, homem de mulher, rico de pobre.
Em pulsos anônimos, em prédios públicos, nas ruas o tempo corre, escorre pelas avenidas, pára em sinais, é captado por lentes. 

O tempo tem segredos intocáveis. 
O maior deles é que por si só não tem vida. 
Preenchê-lo é a arte capaz de fazer realizar sonhos!!! 
Reprodução: wietskelenderink via Compfight cc

Com o tempo flores se abrem, crianças descobrem o dom da vida, homens o poder de amar. As pessoas ganham a liberdade de traçar momentos no arco do tempo. 
Construir, significar, reconstruir e resignificar sua história. 

Quanto tempo você tem? 
Quanto tempo tem para ser quem deseja ser? 

Para quem se permite viver seus sonhos, tempo há!
Os ponteiros do relógio apenas demarcam numericamente a nossa passagem pelo tempo. 
Porque o tempo não passa... 

Nós é que passamos por ele!

Autora: Nathalia Wilke
Inspirado no texto de Paulo Esdras