7 de agosto de 2013

Aprender a cair e levantar

"A primeira coisa que devemos aprender é cair"

Lembro-me bem do meu professor de Judô na faculdade dizendo isso, no curso de Educação Física. E nos momentos práticos, antes mesmo de aprender qualquer coisa sobre a arte marcial, aprendemos a realizar um rolamento sobre os ombros. Caíamos e nos levantávamos repetidamente. Adquirimos facilidade em cair e nos reerguer. O encontro com o chão não era necessariamente um problema, fazia parte de uma etapa do processo de aprendizado da luta, e logo em seguida reerguíamos e voltávamos.
Éramos iniciantes e era natural que ainda iríamos de encontro ao chão bastantes vezes para aprender a lutar.
Fonte: Livro didático público 2ª ed.

Isso tem todo um significado se pararmos para pensar em demais esferas da vida. É quase que inevitável que em nossa trajetória, enquanto aprendemos e nos desenvolvemos, que venhamos a sofrer quedas ou alguma coisa nos coloque pelo menos com a sensação de estar no chão, derrotados. E o vencedor é quem consegue se colocar em pé e persiste nos desafios. Um tempo depois, teve um dia em que dia fui agradecer a ele por ter dedicado boa parte de seu tempo a treinarmos a queda. Não só pelo lado poético da coisa, mas também por uma situação em especial em que este aprendizado fez a diferença.

Em um período de intercâmbio, fazia aulas de Equitação que a faculdade ofertava. Dado dia trotávamos em um ritmo acelerado e um som assustou os cavalos. O cavalo que eu estava montada estava em velocidade e parou de maneira brusca, ficando estático e me projetando para frente rapidamente. Ele era um bocado alto. Por isso e pela velocidade, preciso falar que senti na pele a sensação que é voar? Mas mesmo depois de ter caído, eu estava bem, mais viva e chacoalhada do que nunca. Dei por mim levantando, batendo com as mãos no barro da calça. 

"Está bem?" "Estou" "Vai montar novamente?" "Vou!" 


Olhei para professor e vi a cara de preocupação se dissipando em uma de alívio. Nesse momento tive compreensão do que poderia ter acontecido.

E remontei a cena na minha cabeça, o cavalo correndo, o barulho, ele parando, eu indo para frente... e.... levantando! Nesse meio tempo em que fui arremessada pelo cavalo e que nem tive tempo de pensar como agir o que aconteceu? E foi aí que veio a surpresa: A queda do judô, foi ela, estava internalizada. O que aconteceu é que rolei sobre os ombros, mas só fui me dar conta disso depois de já estar de pé, de tão rápido que foi tudo.

A gente internaliza aprendizados e nem sabe o quando isso pode ser importante, mas quanto mais treinamos alguma coisa, seja uma técnica, uma virtude, uma ação. Tão logo, sem nem parar para pensar, poderemos praticar isso. Sendo salvos em fração de segundos de algum potencial perigo, conseguindo superar com mais facilidade desafios que surgem no decorrer do caminho. 

A vida é feita de riscos e nós precisamos ser feitos de aprendizados, pensamentos, ações e hábitos positivos.

Autora: Nathalia Wilke

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Expressar Impressão