24 de novembro de 2014

Face a Face

Eu escolho as pessoas às máquinas,
A flexibilidade a rigidez,
A liberdade à alienação,
O bem-estar à moda,
O mundo real, as pessoas de carne e osso.
Rostos em vez de avatares.
Personalidades em vez de personagens.
A luta diária em vez de batalhas fantásticas.
Quero ver tocar a mp3 que já sei de cor.
Quero piadas contadas ao vivo, as mesmas que eu já recebi por email, incontáveis vezes.
Escolho o bronzeado ao photoshop.
Aprendi a diferenciar ferramentas de comunicação, seres emissores e aquilo que se quer fazer entender.
Os rostos próximos ao meu estarão ali por afinidade, por sintonia, por brilho nos olhos.
Não que eu dispense completamente o wireless, mas prefiro o afeto transmitido em abraços..

Fonte: Reprodução/informatico.pt
Vivemos uma espécie de “Síndrome de Ansiedade Coletiva”. Em que tudo é para ontem, tudo é prioridade, tudo apita e quer atenção agora. Não quero ser mais uma a causar ruído.
Além de tudo eu não sou um algorítimo ou uma estatística e não vim ao mundo pra consumir sem parâmetros.
Um diálogo me faz refletir e mais do que frases de auto-ajuda aleatórias.
Prefiro conversar face a face, a me esconder atrás de uma tela.
Talvez porque nada se compara ao brilho dos olhos, ao tom de voz, à linguagem corporal, à irradiância da vitalidade, à atratividade da auto-confiança.
Eu gosto do imprevisível, do espontâneo, do natural, do surpreendente, do criativo.
O que faz um visor de sei lá quantas polegadas ocupar tanto espaço na vida?
Cores, som entretenimento, bytes, megabytes, gigabytes, memória RAM, processador, satélite... a tecnologia é vasta e atraente.
É tanta informação que a nossa vida torna-se insuficiente pra fazer tudo, saber tudo, assimilar tudo que temos a disposição.
Percebo a evolução de ser possível conectar, mandar mensagem, trocar informação, foto, vídeo, com que está do outro lado do mundo, na lua ou no meio oceano.
E é notável como mesmo assim as pessoas parecem distantes ...
Queremos misturar ambientes, pessoas, assuntos...
Acessar tudo e a todos a todo, ao mesmo tempo e agora.
Melhorar nosso ego e carência social por curtidas.
E ganhamos um alcance maior de nossa superficialidade.
No fundo, a questão não é a ferramenta, mas seu uso.
No intimo a gente sabe o que é essencial pra gente e que tem coisa que a tecnologia nunca vai substituir.
É em vão o esforço em tentar esconder verdades de você mesmo.
Aparentar não significa ser e a gente pode procurar a felicidade em inúmeros lugares sem se tocar que ela está dentro de nós, esperando pra ser reconhecida e vivida.
Pense sobre como lida com a rede e se precisa também repensar a relação.
Eu sou mais viver, ao vivo, a cores, com sensibilidade, profundidade e em dimensão.
Sem radicalismos, resolvi "me vacinar" e buscar novas e melhores formas de viver.
Fonte: Reprodução/colegiocebrapi.com.br

Autrora: Nathalia Wilke - (Com base em um autor desconhecido)

2 de novembro de 2014

Bagagens e Entulhos

Não sabemos ao certo as bagagens e os entulhos do outro.
O que valoriza? O que teme? O que viveu?
O que o leva a ser como é e acreditar no que acredita?
Teria desilusões? desconfianças?
O que sonha? Em que e quem confia?
Saberemos?

Fonte: Reprodução/trips.behar.net.br/
(E as nossas, sabemos?)

Me pego com o que não quero pensar.
Entulhos de trajetos que não me pertencem completamente.
Levo ainda algum espinho que feriu, uma pedra que não vi e cai...
Me ressinto, pressinto, engano. Imagino. Errada.
Eu olho, procuro e mesmo com um caminho que possa ser tranquilo, inquieto.
Lembranças, memórias: Daquilo que quero evitar.

A "bagagem" é nossa e levamos, às vezes tentados a empurrar para que outro carregue.
Pesa levar entulho e é chato terceirizar, mas dá trabalho desfazer.
E tem o que não queremos ver que está com a gente. Dói saber.
E largar o medo (que talvez nos proteja)?
Fonte: Reprodução/www.blogdopara.com.br

É necessário entender e desapegar, para que ninguém leve o dispensável. Nem nós.
A quem cabe melhor ser leves, desatar nós, criar laços.

Sei o caminho de casa (de uma segurança) por algumas recordações úteis.
Outras, mesmo sendo normalmente inúteis, sei também. Amadurecem. (Ou endurecem?)
Recordar é viver? Viver mesmo (intensamente) é eliminar interferências, refinar a visão, estar aqui.
Mas na recordação cabe significados novos, basta re-cor-dar, dar nova cor.
Reconciliar. Recuperar aquilo que se perdeu no tempo e não deveria.
Espaço, leveza, fluidez, pureza, o acreditar, entregar.

Com humildade recordar pode ser viver, crescer.
E assim eliminar o desnecessário, reforçar o essencial.
Com a leveza de menos entulho e mais espaço para bagagens: recomeçar.
Dia após dia renovar a história.
Vencer medos, persistir saudavelmente no caminho.
(Que escolhemos!)

Vamos em frente?
Vamos enfrente!
Enfrente-se.

Autora: Nathalia Wilke