2 de novembro de 2014

Bagagens e Entulhos

Não sabemos ao certo as bagagens e os entulhos do outro.
O que valoriza? O que teme? O que viveu?
O que o leva a ser como é e acreditar no que acredita?
Teria desilusões? desconfianças?
O que sonha? Em que e quem confia?
Saberemos?

Fonte: Reprodução/trips.behar.net.br/
(E as nossas, sabemos?)

Me pego com o que não quero pensar.
Entulhos de trajetos que não me pertencem completamente.
Levo ainda algum espinho que feriu, uma pedra que não vi e cai...
Me ressinto, pressinto, engano. Imagino. Errada.
Eu olho, procuro e mesmo com um caminho que possa ser tranquilo, inquieto.
Lembranças, memórias: Daquilo que quero evitar.

A "bagagem" é nossa e levamos, às vezes tentados a empurrar para que outro carregue.
Pesa levar entulho e é chato terceirizar, mas dá trabalho desfazer.
E tem o que não queremos ver que está com a gente. Dói saber.
E largar o medo (que talvez nos proteja)?
Fonte: Reprodução/www.blogdopara.com.br

É necessário entender e desapegar, para que ninguém leve o dispensável. Nem nós.
A quem cabe melhor ser leves, desatar nós, criar laços.

Sei o caminho de casa (de uma segurança) por algumas recordações úteis.
Outras, mesmo sendo normalmente inúteis, sei também. Amadurecem. (Ou endurecem?)
Recordar é viver? Viver mesmo (intensamente) é eliminar interferências, refinar a visão, estar aqui.
Mas na recordação cabe significados novos, basta re-cor-dar, dar nova cor.
Reconciliar. Recuperar aquilo que se perdeu no tempo e não deveria.
Espaço, leveza, fluidez, pureza, o acreditar, entregar.

Com humildade recordar pode ser viver, crescer.
E assim eliminar o desnecessário, reforçar o essencial.
Com a leveza de menos entulho e mais espaço para bagagens: recomeçar.
Dia após dia renovar a história.
Vencer medos, persistir saudavelmente no caminho.
(Que escolhemos!)

Vamos em frente?
Vamos enfrente!
Enfrente-se.

Autora: Nathalia Wilke

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