20 de janeiro de 2015

Desobvialize

Certo dia, eu e meu namorado caminhávamos e resolvemos entrar em uma trilha. Não a conhecíamos e nem havia uma boa sinalização, sem saber se estávamos no caminho correto seguimos andando e procurando. Então entra um grupo de pessoas na trilha e também a desconhecendo, ao procurar o trajeto a seguir, nos vê: “É por ali, tem um casal.” E nos seguiram. Encontramos a saída e eles devem ter mantido a convicção de que acertaram em ir atrás, nós só podíamos rir, estávamos todos perdidos.

Essa situação mostra muito sobre o comportamento humano. Quantas vezes acreditamos que o outro tem a solução para nós, o caminho certo? – e esse outro pode-se entender como alguém, uma instituição, um dogma.

E nós sedentos de amparar nossas angústia com relação a incerteza de tanta coisa, somos tentados a acreditar. Quantas vezes buscamos certezas para diminuir o medo que a falta de controle das situações da vida pode trazer?

Uma suposta solução para a vida pode vir em um bom embrulho, dita com convicção e fervorosamente pedir a sua fé e extremismo em viver como ela dita. E o coro é tão alto, que pode parecer estranho viver diferente da maioria. Se todo mundo vai, se todo mundo faz, se todo mundo compra, se todo mundo acredita, porquê você não? É uma chantagem, justificada sem argumento. Um jogo com o sentimento de pertencer a um grupo e sentir mais forte por isso. Queremos ser amados e aceitos, mas para isso temos que agir como todo mundo? Não sei você, eu não sou todo mundo.

Fonte: Reprodução/exame.abril.com.br
Nisso não quero dizer que não devemos ter abertura para ouvir outras pessoas, ter a humildade de aprender, de buscar ajuda, de ser ajudado, de confiar. A questão é, será que toda boa intenção se desdobra em ações assertivas? Será que o outro também não está perdido? Será que o caminho que ele encontrar é o único? Será o melhor para nós ou devemos buscar o nosso próprio? Será que devemos aceitar passivamente ou questionar as possibilidades que nos são apresentadas e somos convidados acreditar?

Eu acredito em assumir um protagonismo e responsabilidade pela própria vida e escolhas. As pessoas mais interessantes que conheci até hoje não têm receio do que os outros pensam de seu modo de viver, não precisam seguir a moda, não têm medo de mudar de ideia, de abrir-se a aprender e questionar suas verdades por novos pontos de vista. Elas também não sabem o que querem ser quando crescer. Querem ser felizes, mantendo seus valores, integridade e respeito com outros seres para alcançar com dignidade os objetivos que traçarem para si com o caminhar. Querem ter propósitos e fazer a diferença no que gostam, buscando se aperfeiçoar técnica e cientificamente para que as ações no sentido de cumprir com esses propósitos sejam as mais assertivas. Viver de forma intensa, original e autêntica é arriscar de peito aberto, sem saber exatamente como ou onde vai chegar.

"Mas quem é que sabe como? 
Viver... o senhor já sabe: viver é etcétera..." 
(Guimarães Rosa)

Isso não diz respeito à viver à deriva, diz respeito a não se encher de certezas e verdades absolutas, de se saber humano demais para compreender a vida e o mundo em toda sua dimensão e sentido. 

Fonte: Reprodução/gopixpic.com
Um vídeo interessante, que se conecta ao assunto:

"Se você não encontrou ainda, continue procurando. Não sossegue" (...)

"O tempo de que vocês dispõem é limitado, e por isso não deveriam desperdiçá-lo vivendo a vida de outra pessoa. Não se deixem aprisionar por dogmas - isso significa viver sob os ditames do pensamento alheio. Não permitam que o ruído das outras vozes supere o sussurro de sua voz interior. E, acima de tudo, tenham a coragem de seguir seu coração e suas intuições, porque eles de alguma maneira já sabem o que vocês realmente desejam se tornar. Tudo mais é secundário."

Um vídeo engraçado sobre o comportamento de manada:

Autora: Nathalia Wilke