5 de março de 2015

Ainda há tanto pra aprender, menina! Ainda é tempo de aprender, menina!

Eu sei menina, que é fácil conseguir companhia mas isso não leva embora a solidão. Você pode sentar pra conversar, se ocupar, comer mais, beber mais, exercitar mais, trabalhar mais, sair mais e a danada da solidão continuar. Estamos sozinhos em nosso mundo interior, convivendo com outros mundos também sós, em um espaço comum. Sozinhos pois únicos, desconhecidos de nós mesmos, por se transformar e ser. 

Menina, não é fácil entender de forma diferente da que você entende as pequenas ausências, desilusões, quebra de expectativa e desencontros da vida, sentir da mesma maneira que se consegue racionalizar, não é tão simples. Se eu soubesse um caminho sem insegurança, te indicava e ia junto. Creio que ninguém sabe mesmo ao certo, porque a estrada nossa se abre e faz ao caminhar. No fundo tudo o que você deseja nesse trajeto é ser amada, lembrada, importante. Você quer saber, sentir e ter a confiança de que em algum lugar e para alguma pessoa a sua existência faça um sentido especial. Pode ser pra mais pessoas também,  o amor tem tanta manifestação, como a amizade. Quer saber que quem gosta, também gosta e se importa com você. E descobrirá, que essa pessoa também pode e deve ser você. Só coisa bonita assim talvez afugente a solidão com algum significado, e faça dissipar a sensação de estar num mundo estranho, de ruídos e distrações que nos entopem, consomem e não preenchem.
Fonte: Reprodução/sobreavida.com.br
Nem sempre as pessoas mostram que gostam da gente como preferíamos, e nem nós sabemos sempre nos gostar assim. Nem sempre a vida corresponde às nossas idealizações, menina. Numa visão sem interferência delas, cabe muito mais gratidão. É a tal da expectativa que direciona o olhar tanto para falta e teima em projetar o nosso mundo “perfeito”, que é diferente da realidade pois a vida não caberia na nossa imaginação. E quer saber? Que bom! Quando danada da expectativa aparece então já não se vê as coisas exatamente como elas são, mas na interseção de como são e como gostaríamos que fossem. Isso faz chorar, ficar triste e sofrer. Se eu pudesse, confortava seu coração e lembrava nessa hora que logo passa. E você se puder, menina, não simplesmente passe pois ainda que desejemos o que idealizamos, no imprevisível que quebra isso, cabe grandes aprendizados e transformações.

Expectativa, menina, é um bicho cruel que se alimenta de idealizações de como o mundo e as pessoas devem ser, uma projeção de nós mesmos e do nosso ego. E misturando elas com nossos medos e o silêncio, pode caber tanta imaginação, silêncio dos outros e até da gente mesmo. E vira inquietude. Sabe o que você faz, menina? Lembra do seguinte, a solidão é um espaço vazio nosso que conviveremos sempre, um espaço de recolhimento e criação. Quando estiver nele, pegue essa inquietude e mistura com as suas expectativas mais legais e que você pode tentar tornar possíveis por si, pra ponte não ser intransponível. Use também uma dose da sua criatividade, amor, humor, flexibilidade e coragem nessa mistura, e aí vai da melhor forma que puder, que eu sei que há de haver um caminho. Sempre tem um caminho. 

Autora: Nathalia Wilke

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