25 de março de 2015

Depois

Como se depois coubesse tudo, deixamos para viver depois, deixamos o que faz bem para depois, deixamos para encontrar soluções depois, deixamos para começar depois.

Agora estamos ocupados. Hoje não podemos, mas depois sim.

Depois é o vazio que aceita tudo que não se quer ocupar agora. Por prioridades, por preguiça, por comodidade, por falta de vontade, por dificuldade, por não pedir ajuda, por não querer arriscar, por tomar as coisas por certo, por não saber por onde começar, por não saber o que queremos, por tudo isso ou outra coisa similar deixamos os esforços para depois.

Depois e depois acumulados, é tudo bem maior de cuidar, de fazer, de expressar. E maior as nossas expectativas para esse tempo, que está sempre mais além. Então é mais difícil ter motivação para construir esse “depois”, que se tornou gigante, muito mais desafiante.

Fonte: Reprodução/tecido-doce.com
Quanto mais “depois”, mais assustador e cansativo pensar. Há sempre muito pouco “agora” para tanto “depois”. Isso frusta e parecemos incompetentes por não dar conta disso que nossa mente conseguiu conceber.

Podemos retroalimentar esse ciclo ou sairmos dele.

Saímos depois, porque não? Já aprendemos a pensar que não podemos agora. 

Mas ainda chegaremos lá, seja lá o que isso signifique, pois deixamos o nosso melhor eu para depois também.  Agora não, mas depois nós seremos aquele que nos gostaríamos de ser. No depois faremos tudo certo, vamos conscretizar nossas metas, consertaremos o que nos incomoda no mundo, depois toda a nossa intolerância com os erros nossos e dos outros será justificado pois mostraremos como somos bons. Porque no fundo, queremos provar para a gente e precisa ser grandioso, para acreditarmos. 

Como faremos isso eu não sei, depois vamos descobrir. E então, começaremos.

Até então, adiamos ações, deixamos passar a oportunidades, deixamos passar o dia, deixamos passar a semana e esperamos pelo depois, que não existe. Depois, qualquer dia desses, sempre um dia distante de onde estamos. Projetamos nele tudo o quanto puder, para não nos ocuparmos agora. Pois estamos muito ocupados, pensando tudo que vamos fazer depois.

Quanto mais “depois”, mais custa alcançá-lo daqui. E aqui ficamos nós. Lá, no depois, fica o resto. Esperando pela gente, que vai chegar. 

Fonte: Reprodução/chrisvaliceli.blogspot.com
E quem sabe vai, mesmo?

Quando deixarmos para agora o que gostaríamos de fazer depois. Ainda que o “agora” não seja tão incrível e grandioso quanto a nossa imaginação concebe o depois. Aquele depois, que talvez depois seja outro, só se concretiza com “agoras”.  

Se no depois, eu pudesse voltar no agora, eu o agarrava e não soltava mais. Deixava o depois lá, como uma ideia, uma possibilidade, um sonho. Saberia que existe, para não ser inconsequente,  mas me ocuparia menos dele, pois sei que mais rápido do que gostaria eu chegarei nele, se nunca o encontrar de fato no mesmo instante em que estou, sempre de “agora” em “agora”. 

Autora: Nathalia Wilke

Um comentário:

  1. Olá Nathalia, tudo bem? Passei por aqui e gostei muito de seu blog; agora tornei-me sua amiga. Gostaria de convidá-la para conhecer meu blog Nupsea: http://exerciciosdependentesquimicosedepress.blogspot.com.br/.
    Caso goste seria uma honra tê-la como nossa seguidora.
    Parabéns e sucessos com seu blog
    Bjs
    Eliane

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