16 de junho de 2015

Dança comigo essa vida?

Nas (an)danças da vida,
Eu, você, uma música, umas danças
Assim nos (re)conhecemos, na expressão do gesto e silêncio
Nos entendemos em um toque, um sorriso, um olhar
Só depois do frio na barriga vieram as palavras;
Narrativa e entorno para viver o que se sente

Quero levar o encanto da primeira noite
Levar uma vida de dança com você
Cada um com seu passo, num mesmo compasso
Na sintonia de uma música, cada um no seu espaço
Que se mistura, se alterna e amplia o do outro


Te sinto, te vejo, te ouço por onde vai e seu ritmo
Pode ser que a música aquiete ou agite
Pode ser que a gente vire, que gire, que fique
Por confiar hei de ir, pois cabe nós dois juntos no salão
Dentro da sua dança cabe a minha e da minha cabe a sua.

Não sei a próxima música, seu ou meu próximo passo.
Sei que seus braços me envolvem e sinto a liberdade.
Os olhares se cruzam e brilham felizes.
E a cada inspirar, cabe uma inspiração.
A cada batida do coração, mais vida.

E vamos conscientes do momento, fluindo em harmonia. Nossa vida é dança quando estamos juntos. Nossa dança é leve. O ritmo vai fácil, os passos se ajustam e a vida movimenta feliz. Por onde for quero continuar ao seu lado, de mãos dadas, ser seu par.

Autora: Nathalia Wilke

23 de maio de 2015

Palavras, pequenas? Palavras, apenas?

Palavras precedem ações, palavras moldam gestos e criam realidades.
As que dizemos a nós e as que dizemos aos outros.

Conferem motivação, significado e propósito.
Palavras evocam sentimentos e os expressam.
Destrincham contextos, abrem a mente, convidam à reflexão.
Palavras evidenciam alternativas, caminhos, possibilidades.
Palavras unem mundos distantes.
Palavras acessam o invisível e nos fazem penetrar em um universo não tácito.
Palavras são combinações que definem caminhos, tarefas, relações.
Enquanto o corpo veste roupas a alma se reveste em palavras e silêncios.
Que dizem de um lugar onde ninguém mais viveu.

Fonte: Reprodução/www.escrevologoexisto.com


Palavras são flechas e flores.
São ferramentas e tratores.
Edificam e desmoronam.
Palavras acalmam e desquietam, alegram e entristecem.
Palavras dão perspectiva e roubam o chão.
Encorajam e amedrontam, ameaçam e dão segurança.

Palavras transparecem intenções, mas legitimam e sustentam na ação.
Assim sendo, são gigantes. Se não, são apenas palavras. Em vão.

19 de maio de 2015

Uma Zona

Há uma vida que passa enquanto o ônibus não.
Há uma energia que pára no trânsito.
Um ânimo que esvai em fumaça pelo escapamento.
Ônibus lotado, a cabeça cheia, o ambiente abarrotado de corpos cuja a mente divaga em outro lugar: No final de semana, no brilho dos smartphones, nos sonhos do sono de quem por sorte se sentou e no caos ainda dormiu.

Há uma ansiedade de ir ao perto que ficou distante.
Ali de mineiro já virou lá.
Pés frios de chuva, cabeça ardendo em perguntas.
Qual o caminho? Que desvio é esse em que entramos? Onde é o retorno?
Já não sei onde vou, quando parada e como sardinha vejo o mundo passar numa janelinha.
A respirar um ar que está longe de inspirar. A ver zumbis.
Qual o sentido de viver assim?
Fonte: Reprodução/Revista Chilena Planeo nº 21
Faróis brilham ofuscando pessoas, fechadas e sozinhas em seu individualismo.
Mas ainda restou gentileza, de repente alguém oferece para segurar a bolsa.
E é sempre algum gesto que carrega a esperança de que a humanidade está por ai.
Sem convite, apareça mais vezes. É sempre um prazer!

Em algum lugar, alguém com a bunda na cadeira toma decisões que (acha) não lhe impactam. Nossa casa é a mesma, mas não estou tão a vontade. Esqueceram que mora mais gente. E nós, pensionistas de nossas casas e "apertamentos", saímos para o mundo e vivemos o resultado de escolhas malfeitas. Esqueceram que mora mais gente aqui. Estruturas sem planejamento, contextos criados de descaso e da verba que molhou a mão de muitos, que mesmo havendo tanto mundo do lado de fora conseguiram se perder na pequeneza de seus umbigos.
Filhos da corrupção.

Quem vai pagar o preço?
Embarcamos nesse mundo.
A passagem já foi comprada.

Tem quem sente na janelinha e fique.
Tem quem cochila.
Quem distrai.
Se abstrai.
Fonte: Reprodução/mobilidadeurbana-joaosantos-1sem2011.blogspot.com

A gente se molha, se suja, se rasga na luta.
Que nesse contexto de abstrair e relevar pra seguir, as distrações não tirem do caminho.
Não devia, mas a gente acostuma.
Acostuma a viver nos intervalos entre o ir e vir.
Acostuma a aceitar que é assim.
Não deveria.

Ainda estamos aqui.
Passageiros.
Se tudo não vai, temos dois pés, vamos nós.
Acordar. Mudar. Transformar. Agir.
Por mais devagar e custoso de seguir.
Se nos dispusermos ao movimento, eu sei, uma hora a gente finalmente vai chegar em casa.
Vamos e espero que não atrase, o tempo passa, vida é curta e a avenida comprida.

("Uma Zona", título em "homenagem" à Avenida Amazonas, em Belo Horizonte. Local onde o texto foi escrito a uma média de incríveis 2.5 km/h)

29 de abril de 2015

Encontro meus sonhos me fazendo fluir.
E minha insegurança a confundir.

Encontro a minha coragem que me impulsiona.
E meu medo me impedindo de ir em frente.

Encontro minha alegria, entusiasmo e brilho nos olhos despertando as pessoas.
E quando desanimada, vejo o mundo com essa lente.

O mundo de fora é mais bonito quando a gente consegue cultivar direito o de dentro.
Encontro a mim mesma em todo lugar, em todas as escolhas e relações que estabeleço na vida.

Tenho a opção de conviver ou negar.
Viver e transformar ou não aceitar e parar.
Crescer ou reclamar. 

25 de março de 2015

Depois

Como se depois coubesse tudo, deixamos para viver depois, deixamos o que faz bem para depois, deixamos para encontrar soluções depois, deixamos para começar depois.

Agora estamos ocupados. Hoje não podemos, mas depois sim.

Depois é o vazio que aceita tudo que não se quer ocupar agora. Por prioridades, por preguiça, por comodidade, por falta de vontade, por dificuldade, por não pedir ajuda, por não querer arriscar, por tomar as coisas por certo, por não saber por onde começar, por não saber o que queremos, por tudo isso ou outra coisa similar deixamos os esforços para depois.

Depois e depois acumulados, é tudo bem maior de cuidar, de fazer, de expressar. E maior as nossas expectativas para esse tempo, que está sempre mais além. Então é mais difícil ter motivação para construir esse “depois”, que se tornou gigante, muito mais desafiante.

Fonte: Reprodução/tecido-doce.com
Quanto mais “depois”, mais assustador e cansativo pensar. Há sempre muito pouco “agora” para tanto “depois”. Isso frusta e parecemos incompetentes por não dar conta disso que nossa mente conseguiu conceber.

Podemos retroalimentar esse ciclo ou sairmos dele.

Saímos depois, porque não? Já aprendemos a pensar que não podemos agora. 

Mas ainda chegaremos lá, seja lá o que isso signifique, pois deixamos o nosso melhor eu para depois também.  Agora não, mas depois nós seremos aquele que nos gostaríamos de ser. No depois faremos tudo certo, vamos conscretizar nossas metas, consertaremos o que nos incomoda no mundo, depois toda a nossa intolerância com os erros nossos e dos outros será justificado pois mostraremos como somos bons. Porque no fundo, queremos provar para a gente e precisa ser grandioso, para acreditarmos. 

Como faremos isso eu não sei, depois vamos descobrir. E então, começaremos.

Até então, adiamos ações, deixamos passar a oportunidades, deixamos passar o dia, deixamos passar a semana e esperamos pelo depois, que não existe. Depois, qualquer dia desses, sempre um dia distante de onde estamos. Projetamos nele tudo o quanto puder, para não nos ocuparmos agora. Pois estamos muito ocupados, pensando tudo que vamos fazer depois.

Quanto mais “depois”, mais custa alcançá-lo daqui. E aqui ficamos nós. Lá, no depois, fica o resto. Esperando pela gente, que vai chegar. 

Fonte: Reprodução/chrisvaliceli.blogspot.com
E quem sabe vai, mesmo?

Quando deixarmos para agora o que gostaríamos de fazer depois. Ainda que o “agora” não seja tão incrível e grandioso quanto a nossa imaginação concebe o depois. Aquele depois, que talvez depois seja outro, só se concretiza com “agoras”.  

Se no depois, eu pudesse voltar no agora, eu o agarrava e não soltava mais. Deixava o depois lá, como uma ideia, uma possibilidade, um sonho. Saberia que existe, para não ser inconsequente,  mas me ocuparia menos dele, pois sei que mais rápido do que gostaria eu chegarei nele, se nunca o encontrar de fato no mesmo instante em que estou, sempre de “agora” em “agora”. 

Autora: Nathalia Wilke

22 de março de 2015

Você está atento à sua respiração?

Nosso corpo trabalha de forma tão natural e contínua que nos acostumamos, quantas vezes paramos para pensar em como é incrível estarmos vivos? Nosso corpo é um sistema que nenhuma máquina ainda é capaz de replicar. Um sistema inteligente, que luta para se regular e manter o equilíbrio interno, que tem sensações, emoções, produz pensamentos, ações.

Enquanto seus olhos estão focados nesse texto o seu corpo está em plena atividade. Seu pulmão leva novo ar, seu coração bate e faz com que seu sistema leve para cada célula aquilo que ela precisa. Milhões de células trabalham para manter os órgãos em suas funções. Seu cérebro está fazendo conexões. Mas nem sempre esta os conscientes de tudo o que acontece a todo tempo para existirmos aqui e agora. Você está atento à sua respiração?

Fonte: Reprodução/lounge.obviousmag.org
Se parássemos de respirar por alguns minutos, morreríamos. Mas conscientemente não podemos fazer isso, porque nosso corpo é inteligente. Se você contrair os músculos para segurar a respiração, quando chegar a mensagem que o oxigênio não está em quantidade adequada e que o gás carbônico precisa ser eliminado, seu próprio corpo faz com que a contração cesse e de novo você volte a respirar para manter o equilíbrio.

Não é preciso dizer então: Respira pulmão, bate coração, leva o sangue circulação, etc. Nem parar para pensar sobre isso. Podemos nos concentrar em outras coisas. Mas a consciência de todo esse sensacional conjunto que é o nosso corpo, te faz estar no aqui e agora com mais presença. Conectado consigo, com a vida, com sua essência. Com o valor das coisas simples que passam desapercebidas, com gratidão e encantamento.

Você está atento à sua respiração? 

5 de março de 2015

Ainda há tanto pra aprender, menina! Ainda é tempo de aprender, menina!

Eu sei menina, que é fácil conseguir companhia mas isso não leva embora a solidão. Você pode sentar pra conversar, se ocupar, comer mais, beber mais, exercitar mais, trabalhar mais, sair mais e a danada da solidão continuar. Estamos sozinhos em nosso mundo interior, convivendo com outros mundos também sós, em um espaço comum. Sozinhos pois únicos, desconhecidos de nós mesmos, por se transformar e ser. 

Menina, não é fácil entender de forma diferente da que você entende as pequenas ausências, desilusões, quebra de expectativa e desencontros da vida, sentir da mesma maneira que se consegue racionalizar, não é tão simples. Se eu soubesse um caminho sem insegurança, te indicava e ia junto. Creio que ninguém sabe mesmo ao certo, porque a estrada nossa se abre e faz ao caminhar. No fundo tudo o que você deseja nesse trajeto é ser amada, lembrada, importante. Você quer saber, sentir e ter a confiança de que em algum lugar e para alguma pessoa a sua existência faça um sentido especial. Pode ser pra mais pessoas também,  o amor tem tanta manifestação, como a amizade. Quer saber que quem gosta, também gosta e se importa com você. E descobrirá, que essa pessoa também pode e deve ser você. Só coisa bonita assim talvez afugente a solidão com algum significado, e faça dissipar a sensação de estar num mundo estranho, de ruídos e distrações que nos entopem, consomem e não preenchem.
Fonte: Reprodução/sobreavida.com.br
Nem sempre as pessoas mostram que gostam da gente como preferíamos, e nem nós sabemos sempre nos gostar assim. Nem sempre a vida corresponde às nossas idealizações, menina. Numa visão sem interferência delas, cabe muito mais gratidão. É a tal da expectativa que direciona o olhar tanto para falta e teima em projetar o nosso mundo “perfeito”, que é diferente da realidade pois a vida não caberia na nossa imaginação. E quer saber? Que bom! Quando danada da expectativa aparece então já não se vê as coisas exatamente como elas são, mas na interseção de como são e como gostaríamos que fossem. Isso faz chorar, ficar triste e sofrer. Se eu pudesse, confortava seu coração e lembrava nessa hora que logo passa. E você se puder, menina, não simplesmente passe pois ainda que desejemos o que idealizamos, no imprevisível que quebra isso, cabe grandes aprendizados e transformações.

Expectativa, menina, é um bicho cruel que se alimenta de idealizações de como o mundo e as pessoas devem ser, uma projeção de nós mesmos e do nosso ego. E misturando elas com nossos medos e o silêncio, pode caber tanta imaginação, silêncio dos outros e até da gente mesmo. E vira inquietude. Sabe o que você faz, menina? Lembra do seguinte, a solidão é um espaço vazio nosso que conviveremos sempre, um espaço de recolhimento e criação. Quando estiver nele, pegue essa inquietude e mistura com as suas expectativas mais legais e que você pode tentar tornar possíveis por si, pra ponte não ser intransponível. Use também uma dose da sua criatividade, amor, humor, flexibilidade e coragem nessa mistura, e aí vai da melhor forma que puder, que eu sei que há de haver um caminho. Sempre tem um caminho. 

Autora: Nathalia Wilke