25 de agosto de 2010

Por acá! (Não é em tempo real!)

Relatos por aqui


Hoje foi o meu primeiro dia em Évora, a cidade é linda, patrimônio mundial.

O percurso até aqui é claro que merece ser descrito.

Então vamos do início. Para começar o processo de despache de mala, passar pela alfândega e viajar não é cheio de dificuldade como parecia pelas instruções todas que escutamos sempre. Mas é bom estar com tudo certinho e por isto tudo transcorreu de forma satisfatória.

Como este mundo é pequeno demais, acabei descobrindo que conhecia a gerente da TAP em Confins; A tanto tempo que nem me lembrava dela direito, rs.. é claro que a família lembrou e é ela nos deu toda a assistência, instruiu que algumas coisas como proteger com plástico a mala não são assim tão indispensáveis, que não havia que declarar nada que estivesse com nota fiscal, que câmera fotográfica somente acima de 10pixels, etc e tal. Tudo pareceu mais fácil e familiar. Como chegamos cedo conseguimos sentar ainda num lugar do avião que dava para esticar a perna ( a única poltrona que não tem nada em frente porque é perto da saída de emergência).

Por muitas vezes perguntei para mim mesma ou até para as pessoas: É só isso? Acho que viagem internacional é rondada de uma tanto de idéias e tem tanta coisa antes de embarcar que na hora mesmo parece que tudo que se tem que fazer é simples.

Na hora de embora nada de aquele clima de despedida... algo como “até logo” mesmo está de bom tamanho... afinal fui para Portugal e volto já... rsrs.. é claro que a ficha só cai um pouco depois. Mas cai!

Mais exatamente quando li a carta que minha mãe deixou para que eu lesse a bordo. E mais exatamente ainda quando no meio da madrugada de reflexão no avião (eu realmente não entendo como as pessoas dormem de até roncar e babar dentro de um avião ou ônibus, não nasci com este dom) tive a sensação de que tudo do Brasil estava ainda tão presente comigo e tão recente que nem deu tempo de sentir saudades... mas que ainda sentiria e isso faz o olho encher . Mas saudade boa, óbvio... é uma ótimo oportunidade e com certeza uma experiência engrandecedora morar em outro país.

Quem estreiou de falar alguma manota, a número um foi minha... a senhorita (estou treinando chamar formalmente as pessoas) da TAP disse “Estais a fechar a janela?” Eu disse “Não” e ela disse brava “Si”. A pergunta dela era uma ordem... OK então né. hahaha... Depois ela ainda implicou com algumas coisas pequenas e deu umas cortadas... deve ser o jeito deles mesmo e eu achei que interpretei assim na hora. Mas tudo bem.

Passei a noite escutando rádio portuguesa, o pessoal daqui fala MUIIITO rápido, eles conseguem dizer muito em pouco tempo, eu é que to treinando o ouvido para conseguir entender!

Passou o vôo, ao chegar em Lisboa a sensação foi de amar o aeroporto de confins , pois é bem menor e melhor de se localizar. Mas enfim... conseguimos nos localizar, chegar aonde tinha que mostrar o passaporte, receber o carimbo...

Aprendi a usar o cartão Hello PT Brasil para falar em Portugal, ligamos para o Ailton que é o Africano que foi nos recepcionar em Evora. Para o Brasil não consegui mesmo depois de muitas tentativas diferentes.

Na hora de pegar o taxi já estava tudo treinado como dizer para que o taxista para passar a idéia de que conhecíamos o lugar e ele não resolver dar volta a mais com a gente . E ainda estava ensaiado para falar um português mais de Portugal, na solicitação de ir para a Estação 7 Rios. Para completar ainda acabamos inventando uma história para ele que estávamos a férias no Brasil com a família, que estávamos retornando para Évora.. rsrs... A número dois foi da Poli, falando que preferia praia a 40 graus do que a 25 graus. Para que? O taxista começou a falar do sol, de que essa atitude é prejudicial, fez o maior discurso. Disse que Brasileiros são quentes... “Nem sempre, só o clima é que costuma ser de mais calor que Portugal”... Queria dar a mão para sair do carro, pegar bagagem, e a Poli “Não, obrigada” Parece que ele entendeu como um insulto e começou a falar que tinha idade para ser nosso pai, da família dele, filha...

Obs: Se as Brasileiras são quentes como diz o taxista, os portugueses derretem... kkkkkk.... a piadinha de duplo sentido é porque esta calor demais!!!

Pegamos um ônibus (comboio) e chegando em Évora o africano Ailton, que é amigo da Isabela foi nosso amigo também e foi muito gentil em nos acompanhar até a casa da Dona María, ajudar com as malas e é bom ter uma presença masculina em um lugar totalmente novo assim ao chegar de mala e tudo sem conhecer nada nem ninguém.

Oh Ceus, Oh vida!! :P Hahaha.. esse “sem conhecer nada nem ninguém” não é um drama! Muito pelo contrário, é bem legal a sensação de repente tirar férias de tudo e de todos que são familiares e de alguma forma poder recomeçar tudo! Não é perder o vinculo, mas tudo era muito atrelado ao já conhecido e agora é tudo novo! E deve ser a primeira vez em muito tempo que meu celular não toca por exemplo (eu ainda não tenho um telemovel, vou providenciar)...

Chegando na Dona Maria conhecemos um brasileiro, o Léo. Ele é arqueólogo e anda pelo mundo fazendo escavações. Nunca tinha conhecido um arqueólogo antes. Como ele esta na cidade a um mês pode nos apresentar bastante coisa por aqui. Dizem que geralmente não é no

Depois de tirar tudo da mala, arrastar móvel de um lado para o outro, organizar melhor as coisas me senti instalada.. lar, doce casa da Dona Maria.

Finalmente dormi um pouco... mentira, capotei! Hehe

Gente, a casa é interessantíssima. Parece aquelas casas de filme de mistério... tem muitos andares, quartos, corredores, escadas, passagens. E as ruas da cidade então, algumas são a conta de passar um carro e parece um labirinto com moradias ao redor. Super empolgante!

Fiquei impressionada o tanto que há de preconceito contra brasileiro aqui. O Léo tem muita cara de nordestino e nós parece que as pessoas vêem que é do Brasil também e basta nos aproximarmos de um lugar para as pessoas saírem as vezes, olham meio atravessado, seguram as bolsas... Foda né! Mas sabemos quem somos e o que viemos fazer aqui e contra este mal já estamos vacinados... aos poucos vai-se conquistando respeito das pessoas daqui.

Ah, atenção pessoas que vendem Natura (Aninha, Anuccia... ) as pessoas daqui AMAM ! E em Portugal não vende, vocês não imaginam a alegria da Ana (Que trabalha para a Dona Maria) em ganhar um sabonete... (E olha que dizem que por aqui não gostam de tomar banho, rsrs... mas a Ana é de Cabo Verde- Africa e estuda bioquímica na Universidade de Évora)

Aqui em Portugal é comum as pessoas falarem que são por exemplo 8:30 da tarde, neste horário costuma ainda estar tudo claro.

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