7 de abril de 2011

O Discurso do Rei (King Speach)

Atenção. Se você não assistiu fica a seu critério ler ou não mas saiba que revela partes da história!

O Discurso do Rei, é uma trama que mostra que os nobres são gente como a gente e que não se centra em específico em um contexto político mas nas questões que são vividas por um importante ator social ingles. Em um período de instabilidade frente a segunda guerra o monarca deve combater primeiro as suas próprias dificuldades para conseguir transmitir apoio e tranquilidade à nação. Como esse é um filme de visão intimista, a política é reduzida ao básico, apenas para dar tom à trama. A questão central é George falar à nação e, com sua voz poder ajudar os ingleses a superar um período conturbado e sobreviver à guerra que se avizinha.

O filme “O discurso do rei” foi nomeado para 12 Óscares pela “Academy Awards” em 2010. Ele retrata a história verídica de um rei que luta para combater um inimigo invisível que atormenta mais de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo pesquisas: A gaguez.

A Gaguez caracteriza-se, sobretudo por alterações ao nível do ato motor inerente à falta, ou seja, por interrupções no discurso que impossibilitam o sujeito de dizer o que quer e quando quer, e traduzem-se muitas vezes em situações de embaraço e de frustração.

O personagem tentou diversos métodos para superar seu problema, mas nada funcionou. Sua mulher, descobre um sujeito australiano com métodos nada ortodoxos. Então tenta convencer George a ir a uma consulta. Para quem já tentou falar com a boca cheia de bolas de gude, tomar remédios diversos e não obter resultados satisfatórios a ideia tornou-se concebível. Apesar de certa descrença inicial na melhora o personagem encara sua dificuldade e tenta buscar a solução em um novo tratamento, motivado pela mulher.

Na primeira sessão, o terapeuta faz uma abordagem nada parecida com o que George se habituou e o olha como ser humano, sem distanciamentos por papéis sociais, estabelece regras em seu próprio espaço, pede que eles se chamem pelos seus nomes próprios, quebrando a etiqueta real. Ele convence o cliente a ler um monólogo de Hamlet enquanto ouve música, sem escutar sua própria voz e grava a leitura num disco de vinil. George sente uma recusa em aceitar a forma de tratamento e resistência ao novo molde proposto, vai embora convencido que havia gaguejado o tempo todo, deixa o consultório irritado. Logue oferece-lhe a gravação como lembrança e quando ele a escuta se surpreende consigo mesmo e adquire maior confiança e vontade de dar prosseguimento ao tratamento.

Ele regressa ao consultório de Logue e trabalham juntos em relaxamento de músculos e controle respiratório, enquanto simultaneamente procuram a origem psicológica de sua gagueira. O Príncipe revela alguns dos seus traumas de infância: a severidade de pai, a repressão por ser canhoto, o doloroso tratamento de seu joelho valgo, uma babá que preferia seu irmão mais velho e que o beliscava para fazê-lo chorar e ser repreendido pelos pais, e a morte de seu irmão mais novo. Enquanto o tratamento progride, os dois vão se tornando amigos e confidentes.

O irmão mais velho, David sobe ao trono após a morte do pai e se torna, por um breve período o rei. Mas ele abre mão do trono para ficar com a amada, o que obriga Albert a aceitar a coroa. O nobre cuja gagueira torna-se um empecilho toda a vez que ele vai se dirigir à nação tem um grande desafio, pois se em tempos de paz isso já seria um problema, em tempos de crise era determinante conseguir se expressar bem.

Foi com a ajuda do terapeuta Lionel Logue que ele aprendeu a superar seu problema, mas não imediatamente - ele teve que, aos poucos, enfrentar seus fantasmas do passado. Fica evidente que a gagueira de Albert está relacionada com sua história de vida e sua maneira de lidar com as situações que ficou internalizada por suas experiências. Ele precisou se reinventar e reaprender sobre si mesmo para conseguir organizar melhor a sua relação com o mundo, vencer as barreiras internas que impediam o seu próprio bem estar. Com o passar do tempo, por suas reflexões, seu esforço e determinação ele reconquista a sua auto-estima, auto-confiança e também admiração e respeito pelas pessoas que vêem a sua luta e a sua vitória.

Atualmente para diversos problemas a solução buscada é baseada em fármacos e a cultura do imediatismo faz com que seja tratada a sintomatologia ou que se tente agir somente sobre ela. Porém o necessário é buscar a origem dos problemas, quaisquer forem eles e tratar no âmago da questão. Para diferentes problemas ou transtornos a resolução não passa pela cura rápida, e não existe uma poção mágica que salvará. Mágica sem ilusão não existe. Os medicamentos podem sim em caso de necessidade ser para diversas patologias uma amenização no entanto o ser humano deve ser avaliado não somente como um sistema biológico mas como um ser bio-psico-social. A contemplação do indivíduo como ser integral, visto com abrangência e levando em consideração tanto sua história de vida como comportamentos é primordial para intervenções que visem melhoras e manutenção da saúde física e psíquica.

2 comentários:

  1. Ai ai... primeiro post que não vou ler...
    Depois que assistir eu volto.. rsrs
    Saudade prima!!
    Bjinhos

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  2. heheheh ....
    Tá certa prima!!!
    que honra...
    só um não lido... e por enquanto né?
    Faz bem em ver o filme...
    depois vc vem ler o que escrevi a respeito.
    Saudades tambem...
    beijos

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