Fui do tipo de aluna aplicada, de responder as questões da forma desejada, de estar no horário certo na aula e fazer silêncio, de cumprir as datas, fazer os deveres e tarefas, prestar atenção, dedicar, por vezes entender e outras precisar decorar. Aprendi lições e pus em prova na escola. Passei satisfatoriamente e bem! Cumpri o designado e isso bastou por muito tempo. Aprendia no tempo designado para eu aprender o que as escolhas tinham nos planos curriculares e acharam importante me transmitir. Busquei perfeição e aprovação.
Um dia foi preciso ir para a escola da vida, onde primeiro você tem uma prova e depois aprende uma lição. Esta hora é a que se percebe que nem tudo que você precisava de fato foi ensinado no espaço da sala de aula e o quanto experiências são mais engrandecedoras que falar sobre elas. Algumas coisas das que escutei me recordo e a maioria esqueci. E sou jovem. (O alemão nem tem como ter pegado, o Alzhaimer... rs)
Mas contudo sei bem de gestos que vivi, das brincadeiras, de tons de voz, sei de quem me proporcionava bem estar. Não me lembro de vários personagens históricos que me diziam importantes mas sei falar de quem foi importante para mim e fez diferença na minha vida. Lembro de conversas com amigos, lembro da minha família, lembro dos nomes dos meus bichinhos. Lembro do livro que queria ler e li mas pouco sei da história daquele que me obrigaram ler para a prova. Lembro dos trabalhos, com músicas que compus para alegrar uma rotina de estudos, lembro que criava histórias para contar um fenômeno e lembro delas... mas dos trabalhos que eu reproduzia fatos para constar que haviam me passado a matéria simplesmente é isso mesmo: foi passado. E agora está no passado e não me vem a cabeça fácil. Que tempo perdido tanta coisa que colocaram na minha cabeça que eu nem queria saber por vezes me ocupavam de centrar no que gostava.
Já cheguei a detestar estudar, a fazer por obrigação, a estar em um lugar com a cabeça em outra. Será que tem que ser assim? Na vida a gente precisa mesmo estudar para conseguir lidar com um contexto de exigências múltiplas, mas que o estudo foi feito para a vida, para possibilitar entendimentos que levem a tomadas de decisões acertivas. Estudar não tem que ser chato, por mais que exija disciplina. Aprender exige prazer e motivação. Ensine seus alunos a sonhar, insira-os na busca e mostre ferramentas para que possam realizar ações. Ensine o que tem utilidade, use a critividade, torne bom o momento. Mostre que aprender é uma dádiva e é uma delícia. Professores sejam criativos para manter viva a vontade de aprender. Mais importante que a matéria é a vida e viver. Aprender não se resume a aprendizados em que se fica sentado. A vida não está no universo mental, a vida está no ser, em um ser integral, em um ser humano pleno.
(Se refere sobretudo a quem me exige decorebas e ao contexto estudantil de escola, cujos moldes tenho algumas críticas)
Considerações da propria autora:
ResponderExcluirPor outro lado exigir dos professores que tenha qualidade sem que eles tenham direito a uma vida digna é muito fácil. Atribuir a eles a situação do ensino e colocar delegando toda a responsabilidade é errado. O contexto de trabalho a qual são submetidos, os salários que recebem, a luta diária para as vezes meramente sobreviver é revoltante... Considero importante sim que eles primem por qualidade, mas também a sociedade e o governo precisam valorizar o seu papel profissional para que eles tenham como de fato dedicar a desempenha-lo bem...