23 de maio de 2011

Seja onde você estiver, você está lá.

Diariamente eu me deparo com uma lista de tarefas que me propus. Alguns delas são objetivos pessoais, outras profissionais, algumas são necessidades e todas por alguma razão em acredito que é necessário cumprir.
Todos os dias quando acordo eu lembro do que é preciso fazer ( Tudo bem, nem sempre me lembro neste caso a lista que fiz é ainda mais útil). A partir do momento em que defino uma direção lá vou eu, saio para ir ao supermercado, preciso imprimir um papel, pegar um transporte, escrever um trabalho... (enfim, não vou listar de fato tudo da minha vida, foi um exemplo de tarefas) . E assim a gente vai vivendo, muitas vezes indo dormir feliz por ter conseguido realizar muita coisa, e novamente ao acordar tem mais outras várias, é matar um leão por dia... e dia após dia parece que todo o tempo do mundo não é suficiente, que após uma tarefa vai surgir uma, outra, mais uma, mais outra, num ciclo interminável.
Assim é mesmo a vida, dinâmica... e vai ter horas que vai parecer que o que você tem para fazer é muito, que não é possível que nunca termine, que está ficando cansativo correr atrás dos seus ideiais, das suas vontades e sonhos, que tudo que você mais precisa é parar, dormir, sair, destrair... talvez seja mesmo.
Eu sinto que quando a gente tem muito foco no que precisamos fazer a gente ignora muitas escolhas que não vão ao encontro. Isto é positivo para determinarmos nosso caminho e sermos bons de fato em algo. Porém algo curioso me aconteceu nesta busca de excelência, de estar certa, cumprindo a minha listinha do que tinha que fazer. Isto me fez pensar ...
Dias desses eu vi um curso que queria fazer em Aveiro, mandei email, liguei, combinei a inscrição, me planejei para ir, reservei hostel, olhei horário do ônibus, o mapa para chegar, tudo ok. Depois iria encontrar com minha mãe e meu padrasto para podermos viajar. Me preparei e lá fui eu sozinha para lá, quando a gente está assim a preocupação de que dê tudo certo é maior. Então fiquei concentradissima em todos os meus passos. Curioso é que o curso que fui fazer era sobre arteterapia e de fato além de aprender os fundamentos vi o efeito que fez em mim .
Vou me recordar sempre da parte em que uma das palestrantes nos convidou a sair da sala e ir para a rua. Fizemos uma dinâmica de relaxamento, de alongamento, de interiorização e ficamos de olhos fechados apenas ouvindo tudo que acontece ao nosso redor. Depois voltamos para a sala... todos nós tínhamos captado muitos sons do ambiente da rua, tínhamos que reproduzir um ao mesmo tempo que outras pessoas faziam o mesmo no grupo. Saiu uma composição fantástica, parecia que havíamos treinado o diálogo de sons que se estabeleceu.
Depois chegou a hora de conversamos sobre o que observamos com a vivência. Cada pessoa falou algo diferente, para cada um aquele momento foi de um significado... O que me marcou foi a quantidade de sons que tinha na rua e que na hora que estava olhos fechados eu além de ouvir pude escutar (o que chamo de tomar consciência). Por acaso tinha vários passarinhos cantando ... e eu tinha passado pela mesma rua antes de ir ao curso duas vezes e não os tinha ouvido (estava muito concentrada no meu foco, no que tinha para fazer, para cumprir, onde tinha que chegar). Parece que das primeiras vezes passei por um lugar mas não estava presente nele, não o senti, absorvi, observei... Foco é bom, sim ... mas pense, se as vezes não restringimos nosso mundo e o foco se torna algo que é um fardo porque simplesmente estamos tão imersos que desconsideramos quase que sem querer outros aspectos da nossa existência.
Hoje você já escutou os passarinhos que cantam? 

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