Esta chegando a hora de voltar...
Está chegando ao fim do período de intercâmbio e a saudade daqui já vem batendo...
Está chegando ao final, mesmo que eu vá revivê-lo a cada fotografia mostrada aos amigos, a cada caso contado, a cada pessoa que voltar a interagir e fizer parte deste contexto...
A vida é deste jeito, a gente vive em um lugar e as vezes momentos parecem curtos, outras vezes parecem eternos mas no final todos passam e ficam as lembranças, ficam os aprendizados, os contatos...
Alguns vão se firmar, consolidar e se manter, outros vão inevitavelmente se perder.
E é difícil ás vezes lidar com esta transitoriedade da vida, porque quando algo nos faz bem a vontade é que esteja sempre acessível, sempre presente e pensar em ter que adaptar a outra realidade é extremamente necessário mas também envolve um certo desapego ao que faz parte de nós.
Pensar em abrir mão e libertar a vida nossa e dos outros para fluir ainda que não seja para mesmos destinos é algo que lida com nossa capacidade de não dar amarras, mas asas aos que gostamos para que sejam livres como gostamos de ser, para que façam e sigam seus próprios caminhos e sejam felizes.
É impossível só ganhar, a vida tem perdas e ganhos, despedidas e reencontros, saídas e chegadas...
Penso sobre voltar e entendo que é um processo que as vezes quero e as vezes me aperta o coração.
Isto porque me encontro com a idéia de tirar da realidade algo que aprendi a gostar, a viver, que passei a contar... Que seja um simples supermercado, que sejam as pessoas que conheci, os lugares que passei a frequentar e divertir, quem me habitei a ver todos os dias, o caminho que aprendi a fazer, o lugar que descobri como me orientar, os meios e recursos com qual aprendi a lidar para viver, as possibilidades que descobri ter acesso e que me moviam.
Um dia quando eu voltar e acordar no Brasil vou conviver com o fato de acordar e tudo isso vai fazer parte da minha história e mas estar mais distante.
E não é fácil, não é fácil porque não simplesmente passei por este lugar...
Quem viaja a turismo retorna com maior simplicidade e retoma a vida...
Mas eu me tornei aqui residente, com carteirinha e tudo.
Eu não considero que passei por aqui, eu vivi por aqui.
É muito diferente.
Eu construi caminhos, vínculos, laços, adaptações.
O ser humano precisa disso.
Os caminhos feitos nestas terras e portas abertas possivelmente continuaram desta forma.
Talvez se quiser mais uma vez por cá andar tenham alguns galhos, folhas e seja preciso limpar para enxergar melhor, mas existirá acesso se tive o cuidado que ficasse bem feito e bem aberto.
Eu sei que uma parte do tempo se foi e que ela não volta, esta é a vida.
E sei que esta etapa foi necessária para a próxima que virá, para os próximos desafios a viver.
E desta maneira se segue, dia após dia se morre uma história e se reescreve outra.
O que me faz parar para organizar as idéias é que preciso mesmo entender para lidar bem com isso.
Preciso entender meu sentimento.
E para você que de longe de minha pele lê compreenda o que faz estar feliz e triste, certa e incerta, confusa e ao mesmo tempo mais segura de mim...
Quando eu penso que vou voltar foi como quando eu pensei em vir...
Preciso deixar para trás o que estive criando, onde coloquei a minha energia nos últimos tempos, onde criei uma identidade e retomar uma estrada que já seguia mas que não me é conhecido o que vem adiante.
De certo eu vou mudar a forma de conduzir nela, os rumos, as relações...
O que é resultado de eu ter mudado neste tempo fora de casa.
O que significa também que valeu a pena, o que significa evolução.
Eu sei que posso me adaptar, aliás, tenho cada vez mais certeza e segurança disso.
Mas grandes mudanças na vida não são todos os dias que acontecem.
E mesmo as boas nos assustam pelo fato de que nunca estamos ou estaremos totalmente preparados para viver, somos sempre imperfeitos e sempre em desenvolvimento.
Eu posso prever o tanto que irá ser diferente meu novo contexto.
Minha firmeza está em mim, eu continuar eu, em ser dona de minhas atitudes.
Mas você há de convir que não todo dia se muda tanto assim o cenário e os atores que dela participan de um dia para outro, do entrar em um avião no aeroporto para o sair dele.
Eu desejo, desejo mesmo que tudo de bom daqui permaneça vivo,
Em forma de uma chama acesa dentro de mim...
Que possa iluminar meus pensamentos quando precisar olhar para trás para seguir em frente ...
De certo, para sempre um pedaço de mim passa a se chamar Évora, pois este lugar e as experiências que me proporcionou são parte de mim em todo o canto que estiver, são importantes para formar o conjunto do que sou, do ser que sou e inevitavelmente do que serei também.
Ninguem me tira, ninguem me separa, nem mesmo o tempo ou a distância...
Ainda que por vezes eles inevitalmente possam querer ofuscar a intensidade me oferecendo um novo por do sol a cada dia e me convidando para desbravar o mundo, me chamando para viver o presente e futuro que tenho pela frente.
Que é muito ainda em vista do que eu vivi, mas que preciso aproveitar ao máximo...
Este muito é pouco porque a vida é curta...
e resta curtir e vivê-la!
Bola para frente
:D
Que é muito ainda em vista do que eu vivi, mas que preciso aproveitar ao máximo...
Este muito é pouco porque a vida é curta...
e resta curtir e vivê-la!
Bola para frente
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