Mostrando postagens com marcador transformação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador transformação. Mostrar todas as postagens

8 de agosto de 2017

Ninguém viveu você

Quantas vezes somos vistos de forma superficial, por olhares apressados?
Quantas vezes recebemos palavras atravessadas, que nos alcançam sem perceber nosso sentido? Há momentos em que somos avaliados precariamente, sem saber como chegamos onde estamos. Você deve saber disso.

Criamos máscaras para atender expectativas nossas e dos outros.
Armaduras para nos proteger do sofrimento e tentar esconder as vulnerabilidades.
Criamos crenças de percepções nem sempre refinadas da vida e das situações.
Por medo corremos o risco de nos afastarmos da essência, para sobreviver. No fundo algo em nós grita que isso é pouco, que podemos viver extraordinariamente. Fazemos nossas escolhas misturando tanta coisa e criamos uma vida e relações que ressoam nosso interior. E como ele está?

Já teve momentos em que você pensou que a vida é mais, que pulsa em você a possibilidade de muitas realizações? Esse incômodo te inquieta?
Quantas vezes você enfrentou o medo, superou o desafio, passou de fase, disse o que precisava, aprendeu o que tinha dificuldade?
Que achou ter chegado ao limite e descobriu poder mais?
Ninguém sabe completamente o que viveu;
Só você sentiu seus medos e viveu suas coragens.
Só você chorou escondido, venceu a si mesmo em silêncio.
Ninguém mais viveu você.

Ao encontrar desafios, obstáculos e barreiras, faça com um rio, aprofunde.
Quem pode se conhecer mais do que você para encontrar seus caminhos?
Quem é a pessoa que comanda a sua vida?
Quem é você, que comanda a sua vida?
Como está sua bússola interna?
  
O que sabe sobre como utilizar melhor o seu potencial para isso? O quanto se conhece para construir sua autonomia, para criar sua experiência, para se libertar das armadilhas da sua mente e assumir o controle da sua existência? Não importa qual o seu objetivo, ele passa pelo seu desenvolvimento. Seja financeiro, seja amoroso, seja profissional.... 


Tem gente que nos rouba de nós mesmos, tem gente que nos devolve. 

Nathalia Wilke

31 de maio de 2014

Sobre histórias e estórias

Hoje me veio à cabeça a lembrança de um dia em que caminhando destraída para casa fui abordada por uma criança de uns 10 anos de idade. O garoto me pedia dinheiro, não dei.

Continuei meu caminho e me surpreendi ao olhar para trás e ver que ele me seguiu pelo trajeto. Domingo à tarde, tudo fechado. Eu já na minha rua, corri para entrar no prédio e entrar.

Chegamos juntos e a consequencia óbvia daquilo era que ele me gritou para entregar a mochila, enquanto não conseguiu nem disfarçar o nervosismo (que aliás ambos estávamos).

Entre o portão do prédio e o garoto estava eu e num súbito dei um chute na canela dele que se afastou. Não recomendo que ninguém faça isso, mas a minha rápida avaliação de risco é que não havia nada nas mãos e render poderia ser pior.

Fato é que o menino não esperava a reação e afastou-se. Nem eu esperava a reação para ser sincera, é o tipo de coisa que você não pára para pensar como agiria, a começar pelo fato de que nunca espera que vá acontecer com você. Mas eu tinha que fazer alguma coisa.

O que eu esperava menos ainda é que numa tentativa de roubo eu resolvesse ao olhar nos olhos de quem me abordou e começasse a conversar. Eu estava com a chave, podia virar as costas, entrar e deixar ele na rua. Mas era só uma criança e nós estávamos ali.

Não foi das conversas mais agradáveis da miha vida. Mas lembro-me dizendo pra ele ainda meio ofendida:
“ Essa é a pior forma que você tem de conseguir qualquer coisa na sua vida.”

E ele respondeu:
“Eu estou fazendo isso porque tenho fome.”

Repeti: “Não interessa. Essa é a pior forma de conseguir qualquer coisa na sua vida, está me entendendo?” 

Mas no fundo me comovi. Já fui abrindo a mochila e tirei um pacote de biscoito (integral, diga-se de passagem). “Eu vou te dar esse pacote, porque acredito que seja verdade. Mas olha nos meus olhos, escuta, presta atenção e leva essas palavras com você: “Essa é a pior forma que você tem de conseguir qualquer coisa na sua vida!”  e mandei na direção do garoto para que pegasse no ar.

Acho que ganhei confiança demais e (pasmem!) “mandei” ainda olhando nos meus olhos ele pedir desculpas. E sim, ele pediu! (Que loucura, eu ainda quase não acredito nisso!)

E sim, fiquei abobalhada com tudo e ainda completei: “Você pode ser o que quiser nessa vida, pode realizar os seus sonhos, se tornar quem desejar ser, ter um grande sucesso. Mas guarda isso que te falei: Essa é a pior forma que você tem de conseguir qualquer cosia na sua vida”.

Será que hipnotizei o menino? Já deu pra cansar de repetir a frase ne? Nisso, o garoto já começou a ir embora. De cabeça baixa, balbuciando “desculpas” e abrindo o pacote de biscoito para comer.

Entrei em casa, com um misto de alívio e susto. Chorando!

Quando contei, lembro-me de um amigo me perguntar: Você pegou o telefone dele?

Eu: Ahn? Era ele que queria o meu e tudo mais, como assim? Pegar o telefone do menino que queria me roubar já era demais. Já havíamos conversado mais do que devia, já não tinha muito assunto pra falar, não queria mais conversar.

E esse amigo me explicou que a pergunta era porque seria interessante que eu pudesse ajudá-lo por meio de um direcionamento para algum projeto. Sim, o que eu fiz, não muda a vida do menino. Espero ter causado uma reflexão nele, claro. Acho que isso propulsionou ações mais positivas? Pode ser que sim como pode ser que não.

A questão é, se ele estivesse convencido de fazer o bem ainda assim isso não garantiria por si só que ele saberia construir um caminho para ele, talvez tudo o que ele precisasse fosse oportunidade.  

Me lembrei dessa história hoje ao entrar em uma creche. E foi algo que me fez sentir uma admiração enorme pelo trabalho das educadoras e mantenedoras daquele local. Dias após dia essas pessoas acolhem com amor e criam oportunidades de diversas crianças se desenvolverem. Crianças que às vezes estão à margem, às quais faltaria oportunidades diversas não fosse o trabalho a qual se dedicam naquele espaço.

A admiração veio com gratidão: todos os dias essas pessoas mudam a nossa vida, sem que muitas vezes nós saibamos.

Recentemente, tive mais contato com esse local onde hoje fui e me trouxe tantas reflexões. Reinauguramos uma biblioteca lá dentro através de um projeto chamado “Um pé de biblioteca”. 

Fiquei pensando... 
Entre livros e livros há tantas histórias já criadas, mas tanto espaço para novas que há de existir a de nossa autoria. A de cada um!

Ah se todos soubessem que há outras formas de se viver a vida, talvez melhores. Ah, se todos soubessem, que talvez essa não seja a melhor forma de fazer as coisas.

Isso me faz pensar, bibliotecas também são possibilidades de novos mundos. A leitura (por pessoas de qualquer carência pode ser transformadora). Ao ler estórias e histórias ampliamos a nossas oportunidades, perspectivamos novas possibilidades e caminhos, abrimos a nossa mente a outras ideias.

A gente só precisa é disso, de uma história que valha a pena ser escrita ou vivida, e que seja... 

Por fazerem parte da minha, com uma iniciativa tão inspiradora e transformadora:
Obrigada, vocês foram incríveis!
Inauguração da Biblioteca Elizabeth Santos - 10º do Projeto Um Pé de Biblioteca

25 de fevereiro de 2014

O que você pode aprender com o filme "Duas Vidas"

Essas reflexões foram feitas no ano passado, como tarefa de uma formação em liderança Coach. Hoje me deparei com ela em meio dos meus arquivos e quis compartilhar! É a respeito de um filme da Walt Disney, se você não viu e se importar de saber um pouco da história antes de assistir, não leia. 

O que aconteceria se adultos, pudéssemos encontrar conosco criança?

O filme retrata a história fictícia de um homem que quase chegando aos 40 anos se encontra com ele mesmo com 8 anos de idade. O encontro é uma surpresa para um e para outro, duas vidas completamente antagônicas. A criança não fica satisfeita com quem se tornou, o adulto precisa encarar quem era e que gostaria de esquecer.

Nós somos o que fomos, o que somos e o que seremos.  E a quem cabe decidir isso? Grande parcela cabe a nós mesmos, com cada pequena escolha diária e com as maiores decisões que fazemos na vida.

A história quer nos mostrar, de modo figurativo, que precisamos fazer às pazes com o nosso passado para que possamos viver melhor o presente e construir com ele um futuro que em nosso íntimo nós desejamos, e que nos fará realmente felizes. De uma maneira engraçada e criativa a história nos faz pensar o quanto podemos nos distanciar de nossa essência, de nossos sonhos e desejos mais autênticos em busca de um status, de padrões estéticos, adequação social, imagens e aparências. E perder o sentido do porque existimos, o que buscamos e para quê.
Fonte: Reprodução:http://dentrodarte.arteblog.com.br/

Em tese,  diz Roberto D´arte em seu blog, todo adulto tem a obrigação de ser melhor do que foi na infância e adolescência. "Esta é a suposta lei da maturidade. Na prática, no entanto, nem sempre o que se observa."

O homem adulto estava constantemente com um humor sarcástico, arrogante, desvalorizando as pessoas ao seu redor, egocêntrico e impaciente. Quando a criança de 8 anos (ele mesmo) chega, faz com que ele olhe para si e trás à tona uma série de lembranças de fatos que ainda que distantes influenciaram na construção do que o adulto se tornou. Lidar com as frustrações e perdas, entendendo com maturidade o passado, é uma forma de fazer as pazes com nossa história e seguir melhor. Isso foi o que aconteceu quando o personagem adulto vivenciou de novo seu pai o repreendendo por ter feito a mãe ir na escola quando estava doente e precisava repousar. Pela primeira vez ele analisou não com os olhos da criança, mas com a visão do adulto, que sabe se colocar no lugar do outro. Ele entendeu seu pai, não agia assim por mal, mas por medo e por não saber o que fazer e que não tinha culpa dos acontecimentos que decorreram após aquele episódio. Naquele momento ele consola a dor dele mesmo de quando era criança e perdoa o seu pai por sua forma de agir. 

Achei interessante também a forma como o filme mostra a transformação que pode ocorrer pelo amor de outra pessoa. No início, o que Ross traz dentro de si é exatamente o que vê na criança; ele a vê como fracassado porque era gordo e quer negá-lo a todo custo. Enquanto isso, a mulher que trabalha com Ross, por seu amor e encantamento com a vida vê a criança não como ela é fisicamente, mas como é internamente, valorizando isso e ressaltando o positivo.

Fonte: Reprodução/wellcorp.blogspot.com
Aos poucos o Ross adulto começa a se ver de outra maneira e resolve dialogar com o que preferia manter no passado. Neste momento inicia uma transformação interior e mergulha no auto-conhecimento, descobrindo a razão de estar conversando com sua criança, encontrar junto à ela um rumo para seu futuro que esteja alinhado com o que o  faz feliz.

No caso do filme, ao final o adulto realiza exatamente o que a criança sonhava; ser piloto, ter uma família e um cachorro. Sabemos que na nossa vida, nem sempre manteremos o mesmo sonho de criança para a vida adulta, mas o importante mesmo é o sonho conectado com a essência. Autêntico e verdadeiro o suficientes para gerar motivação de dentro para fora e prazer em construir e percorrer o caminho da vida!

Autora: Nathalia Wilke