15 de julho de 2014

Paisagem da vida

A vida é calor e frio, façanha e manha, coragem e arrepio.
Eu sou caminhante e sou caminho...

De um lado a proteção do lar, do conhecido e seguro. De outro a beleza do céu e do mar misturando-se na imensidão. Sua grandiosidade e mistério. A insegurança do desconhecido. 

De um lado o teto, de outro o mar aberto. Nem de um lado nem de outro. E nem em cima do muro. Mas na janela! Pronta pra ver, pronta para ir, pronta para ficar. Pronta pra entender, pra conhecer, para fazer parte do que passa ou deixar passar. 

Sendo passageira. Sendo aprendiz. Sem me perder no horizonte ou me fechar na segurança de um só lugar... A gente sabe a hora de saltar. A gente sabe a hora de contemplar. E a paisagem da nossa vida, a gente é que pode fazer. Com as cores dos valores, dos sonhos, do realizar, do amar, do ajudar, do sorrir.

E quando a vida é arte, fica original, sem igual. Façamos arte, façamos parte da história que a gente acredita. A cada encontro, reencontro, consigo, com outro. A cada emoção e partilha!

Autora: Nathalia Wilke

8 de julho de 2014

Copa do Mundo: Quer saber o que penso disso tudo?

No nível de rendimento de uma Copa do Mundo, o futebol é um negócio de uma indústria de entretenimento. Os serviços e resultados estão ligados à experiência emocional envolvente que ele pode proporcionar. O desempenho esportivo tem papel preponderante nesse negócio, mas estrelas no peito, expectativas e torcidas não vencem jogos. 

Se vence por um conjunto de ações estratégicas em torno dos jogadores. Se vence por talentos trabalhados desde a base, sustentados por uma estrutura maior e diferentes profissionais. Que cuidam da preparação técnica, tática, fisiológica, psicológica... se vence por uma equipe coesa, que articula jogadas, por ações certas em momentos oportunos, por conhecer o adversário, por se conhecer. A performance não é obra do acaso, da roupa que você vestiu, da presença ou não do Neymar. 

Os jogadores tiveram um mérito de chegar até a semi-final e então enfrentaram uma seleção forte, que soube jogar com profissionalismo e explorar os seus potenciais e nossas fraquezas. O Brasil jogou como conseguiu, se perdeu em campo e perdeu o jogo. A Alemanha mereceu a vitória, jogou melhor e joga em outros campos também (saúde, educação, política). Acho que a única coisa que cabe é dar os parabéns, é um mérito. E reconhecer com a sincera admiração de quem se abre ao aprendizado. A emoção que levou muitos a lágrimas hoje, cabe sim pelo contexto, é legítima. Principalmente a dos jogadores e CBF. A nós cabe um pouco de racionalização ao quanto damos valor. Futebol é legal, mas não muda a nossa vida. 

Amanhã o contexto muda, domingo a Copa termina. E agora? 
Apostaria dizer que talvez estejamos menos anestesiados. 

"Há vitórias que exaltam, outras que corrompem; 
derrotas que matam, outras que despertam." 
-- A. Saint-Exupéry

7 de julho de 2014

Tô por ai na procura
Procurando o que abraçar
Já encontrei pessoas, causas, profissões
Vi estilos, personalidades, opiniões
Conheci quem cante, quem dance, quem assiste, quem crie, quem cozinhe, interprete, que nada, joga bola, comenta
Encontrei quem se contenta
Estive com pessoas que buscavam melhorar, ensinar, estudar
Parei para divertir, entre amigos conversar
Até então já achei no mundo o que procurei
Também perdi para poder encontrar

Depois de conhecer vem a escolha
Que utopia poder abraçar o mundo
Ou se escolhe ou o tempo te pega de surpresa e diz para onde ir
Hoje sei que fazer a diferença exige dedicação
Que existe uma sutil diferença entre ser e querer
Planejar exige sintonia com as atuais possibilidades

E o futuro carrega a tendência de não ficar totalmente no nosso controle
O que mais quero; ser feliz aqui e também além.
Me lembro que o ontem já passou e o amanhã não chegou
E hoje?
Traz a possibilidade de renovação, de tudo, é uma dádiva, é o que temos, é o tempo que podemos.

(Nathalia Wilke)

1 de julho de 2014

Exame de direção


A direção exige decisão.
Segurança de ir em frente.
Observação para se antecipar.
Visibilidade dos próximos trechos.
Movimentos ordenados.
Adaptação às situações.

A direção é como a vida e os caminhos que ruma.
Você pode escutar de outros como agir, para onde e como ir.
Contudo cabe a você fazer.
Percorrer os caminhos.
Assumir o destino.
Escolher a melhor forma de seguir o trajeto.
Reagir ao que lhe aparece.

É liberdade atrelada à responsabilidade...
Fonte: Reprodução/http://sitedecarros.com.br/
Eu vou aceitar o comando.
Engatar a marcha,
Soltar o freio,
Acelerar e ir em frente.
Ainda que às vezes não seja a primeira
Pé na embreagem:
Segunda...
Terceira...

Tudo tem seu momento:
Olhar para o lado é importante;
Olhar ao redor;
Proteger quem está ao seu alcance;
Olhar pra trás pode ser necessário;
Mas às vezes não adianta.

Os objetivos são determinantes para avaliar o melhor ponto de vista.

O mundo é um conjunto de ações e reações.
Certezas e interpretações pessoais.
Essas causam eventuais contradições.
Na dúvida, não ultrapasse!
Analise a situação real.
Pode ser necessário mudar de faixa...
Saiba o esperar o momento certo de realizar.
Prossiga com segurança.
Se o sinal é verde, vá em frente.
Se estiver escuro, farol.
Para chuva, desembaçar a visão.
Para lugares cheios, paciência.
E a tal da calma?
Fica no bagageiro de quem sabe que a vida é uma grande viagem.
Nunca estaremos totalmente preparados, mesmo assim devemos seguir.
Se sabendo aonde quer ir, haverá ao certo um caminho pra chegar.

Encare o fato...
Quem sabe o que pode ter ao virar a esquina e contornar a rotatória ali?

E atenção!
Caso seja surpreendido,
Reconheça os obstáculos
Não deixe atrapalhar seu caminho
Não se atenha nem vá bater de frente.
Faça algo prático, com consciência;
Confie no bom-senso.

Seta, olhou, retrovisor, passou...
Boa sorte!

Autora: Nathalia Wilke

12 de junho de 2014

Copa do Mundo no Brasil


Fonte: Reprodução/http://www.abir.otg.br
O que esperar da Copa do Mundo? Hoje o Brasil está sob olhares de todo o mundo, com expectativas incertas sobre o evento mais esperado do futebol, em um país que se consagrou ídolo nesse esporte. Os próprios brasileiros dividem-se sobre torcer contra ou a favor da seleção.
É certo que o evento que evidenciou várias coisas erradas que vem acontecendo no Brasil. Há muito a melhorar, mas que as questões políticas sejam resolvidas nas urnas, em manifestações pacíficas ou com nós mesmos (combatendo pequenas corrupções).
Ter ou não um bom futebol não implica em melhores ou piores condições sociais. Vamos valorizar o que há de bom? Que possamos viver a paixão brasileira com os pés no chão. Sem nos cegar pelo significado de alguma conquista (ou não).
Torço hoje principalmente pela paz. Também pelo Brasil e mais que isso, pelos brasileiros. Que saibamos ter o discernimento necessário para transformar nossas vidas, enquanto cidadãos em primeira instância e então como país.
Uma ótima Copa do Mundo a todos, que o chute inicial nos inspire ao altruísmo! E que querendo que os outros caminhem em suas vidas, caminhemos nós também!!!

Autora: Nathalia Wilke

31 de maio de 2014

Sobre histórias e estórias

Hoje me veio à cabeça a lembrança de um dia em que caminhando destraída para casa fui abordada por uma criança de uns 10 anos de idade. O garoto me pedia dinheiro, não dei.

Continuei meu caminho e me surpreendi ao olhar para trás e ver que ele me seguiu pelo trajeto. Domingo à tarde, tudo fechado. Eu já na minha rua, corri para entrar no prédio e entrar.

Chegamos juntos e a consequencia óbvia daquilo era que ele me gritou para entregar a mochila, enquanto não conseguiu nem disfarçar o nervosismo (que aliás ambos estávamos).

Entre o portão do prédio e o garoto estava eu e num súbito dei um chute na canela dele que se afastou. Não recomendo que ninguém faça isso, mas a minha rápida avaliação de risco é que não havia nada nas mãos e render poderia ser pior.

Fato é que o menino não esperava a reação e afastou-se. Nem eu esperava a reação para ser sincera, é o tipo de coisa que você não pára para pensar como agiria, a começar pelo fato de que nunca espera que vá acontecer com você. Mas eu tinha que fazer alguma coisa.

O que eu esperava menos ainda é que numa tentativa de roubo eu resolvesse ao olhar nos olhos de quem me abordou e começasse a conversar. Eu estava com a chave, podia virar as costas, entrar e deixar ele na rua. Mas era só uma criança e nós estávamos ali.

Não foi das conversas mais agradáveis da miha vida. Mas lembro-me dizendo pra ele ainda meio ofendida:
“ Essa é a pior forma que você tem de conseguir qualquer coisa na sua vida.”

E ele respondeu:
“Eu estou fazendo isso porque tenho fome.”

Repeti: “Não interessa. Essa é a pior forma de conseguir qualquer coisa na sua vida, está me entendendo?” 

Mas no fundo me comovi. Já fui abrindo a mochila e tirei um pacote de biscoito (integral, diga-se de passagem). “Eu vou te dar esse pacote, porque acredito que seja verdade. Mas olha nos meus olhos, escuta, presta atenção e leva essas palavras com você: “Essa é a pior forma que você tem de conseguir qualquer coisa na sua vida!”  e mandei na direção do garoto para que pegasse no ar.

Acho que ganhei confiança demais e (pasmem!) “mandei” ainda olhando nos meus olhos ele pedir desculpas. E sim, ele pediu! (Que loucura, eu ainda quase não acredito nisso!)

E sim, fiquei abobalhada com tudo e ainda completei: “Você pode ser o que quiser nessa vida, pode realizar os seus sonhos, se tornar quem desejar ser, ter um grande sucesso. Mas guarda isso que te falei: Essa é a pior forma que você tem de conseguir qualquer cosia na sua vida”.

Será que hipnotizei o menino? Já deu pra cansar de repetir a frase ne? Nisso, o garoto já começou a ir embora. De cabeça baixa, balbuciando “desculpas” e abrindo o pacote de biscoito para comer.

Entrei em casa, com um misto de alívio e susto. Chorando!

Quando contei, lembro-me de um amigo me perguntar: Você pegou o telefone dele?

Eu: Ahn? Era ele que queria o meu e tudo mais, como assim? Pegar o telefone do menino que queria me roubar já era demais. Já havíamos conversado mais do que devia, já não tinha muito assunto pra falar, não queria mais conversar.

E esse amigo me explicou que a pergunta era porque seria interessante que eu pudesse ajudá-lo por meio de um direcionamento para algum projeto. Sim, o que eu fiz, não muda a vida do menino. Espero ter causado uma reflexão nele, claro. Acho que isso propulsionou ações mais positivas? Pode ser que sim como pode ser que não.

A questão é, se ele estivesse convencido de fazer o bem ainda assim isso não garantiria por si só que ele saberia construir um caminho para ele, talvez tudo o que ele precisasse fosse oportunidade.  

Me lembrei dessa história hoje ao entrar em uma creche. E foi algo que me fez sentir uma admiração enorme pelo trabalho das educadoras e mantenedoras daquele local. Dias após dia essas pessoas acolhem com amor e criam oportunidades de diversas crianças se desenvolverem. Crianças que às vezes estão à margem, às quais faltaria oportunidades diversas não fosse o trabalho a qual se dedicam naquele espaço.

A admiração veio com gratidão: todos os dias essas pessoas mudam a nossa vida, sem que muitas vezes nós saibamos.

Recentemente, tive mais contato com esse local onde hoje fui e me trouxe tantas reflexões. Reinauguramos uma biblioteca lá dentro através de um projeto chamado “Um pé de biblioteca”

Fiquei pensando... 
Entre livros e livros há tantas histórias já criadas, mas tanto espaço para novas que há de existir a de nossa autoria. A de cada um!

Ah se todos soubessem que há outras formas de se viver a vida, talvez melhores. Ah, se todos soubessem, que talvez essa não seja a melhor forma de fazer as coisas.

Isso me faz pensar, bibliotecas também são possibilidades de novos mundos. A leitura (por pessoas de qualquer carência pode ser transformadora). Ao ler estórias e histórias ampliamos a nossas oportunidades, perspectivamos novas possibilidades e caminhos, abrimos a nossa mente a outras ideias.

A gente só precisa é disso, de uma história que valha a pena ser escrita ou vivida, e que seja... 

Por fazerem parte da minha, com uma iniciativa tão inspiradora e transformadora:
Obrigada, vocês foram incríveis!
Inauguração da Biblioteca Elizabeth Santos - 10º do Projeto Um Pé de Biblioteca

10 de maio de 2014

Poderes


Fonte: reprodução/www.3fox.com.br

O que você faria se tivesse superpoderes?
Ser herói é ser extraordinário pelos seus valores e ações.
Poder é ter força física ou moral, não somente coisa de história fictícia.

Não precisa capa, voar, salvar publicamente o planeta.
É fazer valer o bem no dia-a-dia até nas coisas que ninguém vê.
É saber das suas reais possibilidades, arriscar realizações, abraçar desafios com compromisso e coragem.
É assim que se potencializa o poder que você já tem, elevando-o ao grau de super!

Autora: Nathalia Wilke