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28 de setembro de 2014

Viver é como viajar.

Imagine-se tendo que despedir da maioria das coisas que lhe são familiares para abrir-se a uma nova realidade. Conviver com novas pessoas, encarar a distância do colo de mãe, do carinho dos amigos, do afago de pai, da franqueza do irmão e festa do cachorrinho. E em troca deparar-se com um novo horizonte. Recomeçar uma história que na verdade tem um início bem definido.

Não é nada trágico, é claro! No dia em que se volta tudo estará meio igual.
E meio diferente, porque já não se é mais a mesma pessoa.

Se pensando bem a vida é como uma viagem para morar fora.

Preparamos toda a bagagem material, emocional e intelectual. Vivemos o hoje e tentamos nele projetar um bom amanhã. Buscamos uma realidade que embora possamos ter ideia e influir, nunca será totalmente previsível. E por mais que a gente se prepare a sensação é de que sempre há algo mais para fazer...

São documentos, roupas, malas, produtos, passagem, alojamento, transporte, alimentação, comunicação... Há muito detalhes importantes para lembrar! Ainda falta descobrir mais sobre para onde ir viajar, conhecer o que tem de bom para fazer lá, como é a cultura. Ainda falta terminar um projeto, falar com uma pessoa, ir a um lugar, ainda falta uma despedida, ainda falta aprender algumas coisas, ainda falta um telefonema, ainda falta um abraço, ainda falta uma saudade para matar, ainda falta mais coisa do que é possível listar...

Ao mesmo tempo temos tanto e há muito o que agradecer! Nesta viagem a bagagem nunca está completa, porque nos nunca estaremos. Mas devemos seguir em frente, viajar, viver, aprender, adaptar, ampliar horizontes, crescer! Aceitar um futuro inédito, misterioso, cheio de responsabilidades, cheio de perspectivas, amadurecimentos, planos, realizações.

Tirar os pés do chão, aceitar voar.

Autora: Nathalia Wilke

Fonte: Reprodução/tudo2014.com.br

3 de agosto de 2013

Os mistérios do tempo

Contemplando o infinito, o homem percebeu-se pequeno. 
Tentando compreender seu lugar no universo, criou Chronos, o tempo. 
Datado, sacramentado, registrado em cartório. 

Para expressar essa nova ordem instituiu signos. 
Surgiram as horas, os minutos os segundos. 
A vida ganhou novo sentido. 
Passado, presente e futuro. 

Assim como relógio, despertador, cronômetro, calendário...
Tudo isso para imaginarmos contê-lo, controlá-lo. 
Ampulheta, esse sim o mais sincero instrumento do tempo. 
Regressivamente nos impõe a gravidade, de haver realmente um último grão. Riscando na areia a nossa fragilidade.

Reprodução: Flickr - Fabiano Panizzi
O tempo é curioso. 
Faz-se devagar nos maus momentos, rápido quando o queremos.
E nos surpreende se revelando nas fotos que desbotam, nas cartas que amarelam, nas crianças que crescem nas rugas que aparecem nas pessoas que nunca mais vimos, nas lembranças presentes e nas já esquecidas.

O tempo é imparcial. 
Não distingue branco de negro, homem de mulher, rico de pobre.
Em pulsos anônimos, em prédios públicos, nas ruas o tempo corre, escorre pelas avenidas, pára em sinais, é captado por lentes. 

O tempo tem segredos intocáveis. 
O maior deles é que por si só não tem vida. 
Preenchê-lo é a arte capaz de fazer realizar sonhos!!! 
Reprodução: wietskelenderink via Compfight cc

Com o tempo flores se abrem, crianças descobrem o dom da vida, homens o poder de amar. As pessoas ganham a liberdade de traçar momentos no arco do tempo. 
Construir, significar, reconstruir e resignificar sua história. 

Quanto tempo você tem? 
Quanto tempo tem para ser quem deseja ser? 

Para quem se permite viver seus sonhos, tempo há!
Os ponteiros do relógio apenas demarcam numericamente a nossa passagem pelo tempo. 
Porque o tempo não passa... 

Nós é que passamos por ele!

Autora: Nathalia Wilke
Inspirado no texto de Paulo Esdras